{"id":1069,"date":"2018-01-29T20:50:24","date_gmt":"2018-01-29T23:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=1069"},"modified":"2018-01-29T20:50:24","modified_gmt":"2018-01-29T23:50:24","slug":"novo-porto-da-china-surge-longe-de-qualquer-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2018\/01\/29\/novo-porto-da-china-surge-longe-de-qualquer-mar\/","title":{"rendered":"Novo &#8216;porto&#8217; da China surge longe de qualquer mar"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 3 minutos<\/small><\/p> <p>A maior empresa de transportes mar\u00edtimos da China investiu bilh\u00f5es de d\u00f3lares na compra de portos na Gr\u00e9cia e em outras na\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas em todo o mundo. Mas a localiza\u00e7\u00e3o do mais novo terminal da China Ocean Shipping Company fica a 2,5 mil quil\u00f4metros de qualquer oceano.<\/p>\n<p>Conhecida como COSCO, a companhia tornou-se a propriet\u00e1ria de um peda\u00e7o de asfalto coberto de gelo, cortado ao meio por uma ferrovia ladeada por armaz\u00e9ns, no Cazaquist\u00e3o, um pa\u00eds sem sa\u00edda para o mar. O deserto \u00e1rido perto da fronteira com a China est\u00e1 pr\u00f3ximo do Polo Eurasiano da Inacessibilidade, o que significa que nenhum lugar na massa de terras composta por Europa e \u00c1sia est\u00e1 mais distante do mar do que este.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 aqui, onde enormes guindastes de fabrica\u00e7\u00e3o chinesa carregam cont\u00eaineres em trens em lugar de navios, que China e Cazaquist\u00e3o veem uma nova fronteira no com\u00e9rcio mundial.\u00a0O lugar \u00e9 um polo fundamental do programa de infraestruturas de US$ 1 trilh\u00e3o do presidente Xi Jinping, conhecido como \u201cOne Belt, One Road\u201d (um Cintur\u00e3o, uma rota), que pretende reviver os caminhos comerciais da antiga Rota da Seda entre a \u00c1sia e a Europa.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um centro de transportes \u2014 a Porta do Khorgos, um \u201cporto seco\u201d, ou terminal sem \u00e1gua para levar a carga at\u00e9 trens e n\u00e3o em navios \u2014 em um dos lugares mais remotos do planeta exigiu um exerc\u00edcio extremamente dispendioso de engenharia social.<\/p>\n<p>Foi preciso construir do zero uma nova cidade, chamada Nurkent \u2014 com blocos de apartamentos, uma escola, jardim de inf\u00e2ncia, e lojas para os trabalhadores da ferrovia, operadores dos guindastes, funcion\u00e1rios da alf\u00e2ndega e outros, imprescind\u00edveis para o funcionamento do porto. Aqui, a moradia \u00e9 gratuita. A cidade tem apenas cerca de 1,2 mil moradores, mas j\u00e1 h\u00e1 planos para expandi-la at\u00e9 mais de 100 mil.<\/p>\n<p>Zhaslan Khamzin, o diretor executivo da companhia que opera o porto seco com a ajuda da DP World de Dubai, reconhece que o lugar parece in\u00f3spito, mas, descrevendo-o de maneira pouco plaus\u00edvel como um \u201co\u00e1sis\u201d, insistiu: \u201cEste \u00e9 o futuro\u201d.<\/p>\n<p>O maior pa\u00eds, o mais rico da parte da \u00c1sia Central governado por Moscou, o Cazaquist\u00e3o, tenta desde a independ\u00eancia, em 1991, manter boas rela\u00e7\u00f5es com a R\u00fassia, mas tamb\u00e9m ampliou os la\u00e7os com a China.\u00a0Foi o presidente do Cazaquist\u00e3o, Nursultan A. Nazarbayev, o \u00fanico governante do pa\u00eds desde que se separou da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica quando esta estava implodindo, quem prop\u00f4s pela primeira vez reativar as antigas rotas comerciais da Estrada da Seda.<\/p>\n<p>Os nacionalistas cazaques queixam-se de que o seu pa\u00eds corre o risco de tornar-se um sat\u00e9lite de Pequim. \u201cQuando os chineses chegam, segue-se o apocalipse\u201d, diz um ditado cazaque.\u00a0Os chineses que trabalham aqui afirmam que ser\u00e1 quase imposs\u00edvel impedir a marcha da China. \u201cPor navio ou por trem, n\u00e3o faz nenhuma diferen\u00e7a para n\u00f3s, desde que as coisas continuem andando\u201d, disse Fan Guoming, representante da companhia chinesa de transportes mar\u00edtimos rec\u00e9m-nomeado em Khorgos.<\/p>\n<p>Leva de 45 a 50 dias enviar produtos das f\u00e1bricas chinesas at\u00e9 a Europa por mar, mas menos da metade deste tempo por trem, atrav\u00e9s da \u00c1sia Central. Embora o custo seja dez vezes maior, ainda \u00e9 muito mais barato do que o do transporte de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, a maior parte dos produtos fabricados na China que passam pelo Khorgos n\u00e3o se destina \u00e0 Europa, mas permanece na \u00c1sia Central, e \u00e9 transportada por trem e por caminh\u00e3o para mercados no Uzbequist\u00e3o e nos pa\u00edses vizinhos, como o Ir\u00e3. Mas s\u00e3o os mercados muito maiores da Europa que, a longo prazo, gerar\u00e3o o tr\u00e1fego necess\u00e1rio para tornar Khorgos mais do que apenas um eixo regional.<\/p>\n<p>\u201cEste lugar n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo\u201d, disse Erik Aitbekov, vice-diretor de opera\u00e7\u00f5es do porto seco. \u201c\u00c9 o centro, por causa da China\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/internacional.estadao.com.br\/nytiw?url=\/estadao\/story\/content\/view\/full\/82309&amp;utm_source=nyti_estadao&amp;utm_medium=widget&amp;utm_campaign=product\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 3 minutos<\/small> A maior empresa de transportes mar\u00edtimos da China investiu bilh\u00f5es de d\u00f3lares na compra de portos na Gr\u00e9cia e em outras na\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas em todo o mundo. Mas a localiza\u00e7\u00e3o do mais novo terminal da China Ocean Shipping Company fica a 2,5 mil quil\u00f4metros de qualquer oceano. Conhecida como COSCO, a companhia tornou-se a propriet\u00e1ria de um peda\u00e7o de asfalto coberto de gelo, cortado ao meio por uma ferrovia ladeada por armaz\u00e9ns, no Cazaquist\u00e3o, um pa\u00eds sem sa\u00edda para o mar. O <a href=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2018\/01\/29\/novo-porto-da-china-surge-longe-de-qualquer-mar\/\" class=\"more-link\"><span>Continue lendo<\/span>\u2192<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1070,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["entry","author-adm_hb2018","post-1069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1071,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1069\/revisions\/1071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}