{"id":2141,"date":"2018-08-05T13:36:17","date_gmt":"2018-08-05T16:36:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=2141"},"modified":"2018-08-05T13:36:17","modified_gmt":"2018-08-05T16:36:17","slug":"o-preco-das-ineficiencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2018\/08\/05\/o-preco-das-ineficiencias\/","title":{"rendered":"O pre\u00e7o das inefici\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 3 minutos<\/small><\/p> <p>O produto industrial brasileiro chega ao mercado internacional a um pre\u00e7o at\u00e9 30% maior do que o de similares produzidos nos Estados Unidos ou na Alemanha. Embora seja excessivo, esse diferencial \u00e9 bem menor do que o constatado em 2010, quando o produto nacional era at\u00e9 44% mais caro do que o fabricado em outros pa\u00edses com os quais o Brasil compete.<\/p>\n<p>A melhora seria bem mais animadora se tivesse decorrido de mudan\u00e7as estruturais em curso na economia brasileira ou de novas atitudes do setor empresarial em rela\u00e7\u00e3o a temas como inova\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Mas, como mostrou reportagem do\u00a0<strong>Estado<\/strong>, ela resultou de fatores que n\u00e3o refletem mudan\u00e7as no padr\u00e3o de competitividade da economia brasileira, pois s\u00e3o de natureza conjuntural, como a deprecia\u00e7\u00e3o do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar e a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros.<\/p>\n<p>O mais recente estudo\u00a0<em>Custo Brasil<\/em>\u00a0realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq) mostra que o custo adicional do produto industrial brasileiro em rela\u00e7\u00e3o ao dos principais pa\u00edses concorrentes diminuiu de 44% na primeira edi\u00e7\u00e3o do trabalho, realizado em 2010, para 37% em 2013. Nos \u00faltimos quatro ou cinco anos, registrou-se nova redu\u00e7\u00e3o de 7 pontos porcentuais.<\/p>\n<p>Nos dois casos, a queda relativa do custo de produ\u00e7\u00e3o no Brasil se deveu a fatores ocasionais, como a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos institu\u00edda em 2011 pelo governo Dilma Rousseff que beneficiou alguns segmentos industriais &#8211; e resultou em s\u00e9rios desequil\u00edbrios nas contas do governo federal, sendo por isso revista na maior parte dos casos -, e, mais recentemente, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos juros. A taxa de c\u00e2mbio teve papel importante nas duas quedas. Sem o efeito do c\u00e2mbio, provavelmente a diferen\u00e7a de pre\u00e7o n\u00e3o teria registrado mudan\u00e7a significativa nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>O que os estudos mostram \u00e9 que as inefici\u00eancias que a economia brasileira vem acumulando h\u00e1 d\u00e9cadas, e cuja elimina\u00e7\u00e3o na maioria dos casos depende de iniciativas do setor p\u00fablico ou de pol\u00edticas de responsabilidade do Estado, continuam a onerar a produ\u00e7\u00e3o. Eles s\u00e3o conhecidos de todos os que examinam os obst\u00e1culos que o Pa\u00eds precisa superar para ganhar competitividade e produtividade.<\/p>\n<p>A alta carga tribut\u00e1ria, apontada no estudo da Abimaq, \u00e9 invariavelmente citada entre os componentes mais pesados do chamado custo Brasil que encarece excessivamente o produto brasileiro. No caso dos produtos industriais, a Abimaq observa que o peso excessivo dos impostos sobre os insumos e sobre toda a cadeia produtiva torna o problema ainda maior, pois n\u00e3o existe forma de recupera\u00e7\u00e3o dos excessos como cr\u00e9dito tribut\u00e1rio.<\/p>\n<p>A burocracia e o excesso de regulamenta\u00e7\u00e3o se juntam \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista &#8211; ainda excessivamente detalhista, a despeito da reforma por que passou &#8211; para elevar os custos administrativos. Um sistema educacional desvinculado da realidade e das necessidades do Pa\u00eds, e por isso incapaz de preparar os jovens para um mundo do trabalho em r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o, resulta em car\u00eancia de m\u00e3o de obra qualificada em setores vitais para a moderniza\u00e7\u00e3o da estrutura produtiva. A precariedade da infraestrutura dificulta e encarece a distribui\u00e7\u00e3o dos produtos. O alto custo do cr\u00e9dito, para todos os tipos de opera\u00e7\u00e3o, igualmente onera os bens locais. S\u00e3o, em geral, componentes de custos cuja redu\u00e7\u00e3o depende de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Dentro das f\u00e1bricas &#8211; como nas fazendas da porteira para tr\u00e1s &#8211; a busca da efici\u00eancia \u00e9 permanente. Investimentos em fatores de competitividade &#8211; gest\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, treinamento, moderniza\u00e7\u00e3o -, quando feitos em volume expressivo, asseguram ao setor produtivo condi\u00e7\u00f5es de competir, o que explica a presen\u00e7a ainda expressiva do produto brasileiro no mercado externo. Mas muito mais o Pa\u00eds ganharia se o Estado reduzisse seu peso sobre a economia e eliminasse muitos dos obst\u00e1culos que criou para o avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,o-preco-das-ineficiencias,70002430931\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 3 minutos<\/small> O produto industrial brasileiro chega ao mercado internacional a um pre\u00e7o at\u00e9 30% maior do que o de similares produzidos nos Estados Unidos ou na Alemanha. Embora seja excessivo, esse diferencial \u00e9 bem menor do que o constatado em 2010, quando o produto nacional era at\u00e9 44% mais caro do que o fabricado em outros pa\u00edses com os quais o Brasil compete. A melhora seria bem mais animadora se tivesse decorrido de mudan\u00e7as estruturais em curso na economia brasileira ou de novas <a href=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2018\/08\/05\/o-preco-das-ineficiencias\/\" class=\"more-link\"><span>Continue lendo<\/span>\u2192<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2006,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["entry","author-adm_hb2018","post-2141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2141"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2141\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2142,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2141\/revisions\/2142"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}