{"id":4930,"date":"2022-03-05T00:09:29","date_gmt":"2022-03-05T03:09:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=4930"},"modified":"2022-03-05T00:41:37","modified_gmt":"2022-03-05T03:41:37","slug":"forum-realizado-no-piaui-mobiliza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2022\/03\/05\/forum-realizado-no-piaui-mobiliza\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum realizado no Piau\u00ed mobiliza outros Estados em prol de suas ZPEs\ufffc"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 15 minutos<\/small><\/p> \n<p>Compareceram \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o da ZPE Parna\u00edba e ao IV F\u00f3rum Brasileiro de ZPEs, nos dia 14 e 15 de fevereiro, representantes de Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o de nada menos que 13 estados brasileiros \u2013 Acre, Bahia, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Minas Gerais, Par\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Santa Catarina. Tudo indica que o novo marco legal do setor (Lei n\u00ba 14.184\/2021) acordou um gigante adormecido&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Projetos que estavam h\u00e1 alguns anos nas gavetas, esperando uma legisla\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel, come\u00e7aram a sair do papel em v\u00e1rios estados. At\u00e9 o fim de 2022, pelo menos mais duas ZPEs devem come\u00e7ar a operar, acredita o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das ZPEs (Abrazpe), Helson Braga, acrescentando que cinco a seis novas Zonas dever\u00e3o receber autoriza\u00e7\u00e3o neste ano. E, em 2023, deveremos ter v\u00e1rias novas ZPEs entrando em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se diz em linguagem popular, \u201cabriram a porteira\u201d. Enquanto a ZPE Parna\u00edba j\u00e1 est\u00e1 conversando com mais de 40 empresas de diversos setores muito interessadas em instalar-se em seus 313,5 hectares de \u00e1rea, mais de uma dezena de outras ZPEs \u2013 autorizadas ou em processo de autoriza\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00e3o se mexendo por todo o Brasil para tornar vi\u00e1vel o sonho de multiplicar as exporta\u00e7\u00f5es e ampliar o desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversamos com representantes de tr\u00eas projetos que est\u00e3o em diferentes fases de implanta\u00e7\u00e3o e que participaram do IV F\u00f3rum Brasileiro de ZPEs, em Luis Correia. Eles s\u00e3o uma pequena mostra do que vir\u00e1 por a\u00ed: o Brasil entrando, pra valer, no mercado mundial das ZPEs.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cear\u00e1 (Pec\u00e9m)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ZPE Cear\u00e1 j\u00e1 existe h\u00e1 mais de 8 anos. Com um total de 6.182 hectares de \u00e1rea, instalada no Complexo Industrial e Portu\u00e1rio do Pec\u00e9m (Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza), \u00e9 uma ZPE singular: foi a primeira aberta no Brasil (ainda sob a legisla\u00e7\u00e3o antiga) com uma \u00fanica empresa \u201c\u00e2ncora\u201d \u2013 a Companhia Sider\u00fargica do Pec\u00e9m (CSP),&nbsp;primeira usina integrada no Nordeste.&nbsp;<em>Joint venture<\/em>&nbsp;da Vale com as sul-coreanas Dongkuk e Posco, a CSP, fruto de um investimento de US$ 5,4 bilh\u00f5es, tem capacidade de produzir 3 milh\u00f5es de toneladas de placas de a\u00e7o por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a ZPE Cear\u00e1 tem mais duas empresas instaladas: a White Martins e a Phoenix. Juntamente com a CPS, elas comp\u00f5em o Setor 1, que&nbsp;possui uma \u00e1rea total de 1.251 hectares. Em quase uma d\u00e9cada, as empresas do Setor 1 j\u00e1 movimentaram mais de 64 milh\u00f5es de toneladas de cargas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica: nossa \u00c1rea de Despacho Aduaneiro (ADA) fica a apenas 6 km de dist\u00e2ncia do Porto do Pec\u00e9m, a menos de 60 km da capital e a cerca de 56 km do Aeroporto Internacional de Fortaleza\u201d, conta a diretora de Opera\u00e7\u00f5es da ZPE Cear\u00e1, Andr\u00e9a Freitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, a ZPE Cear\u00e1 est\u00e1 encarando um novo desafio: o desenvolvimento do Setor 2, inaugurado em novembro de 2021, com 1.911 hectares prontos para receber novas empresas j\u00e1 sob o novo marco legal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO projeto de expans\u00e3o da ZPE Cear\u00e1 tem como grande diferencial a flexibiliza\u00e7\u00e3o, uma vez que os lotes poder\u00e3o ser divididos em variados tamanhos, proporcionando condi\u00e7\u00f5es para instala\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas de grandes empreendimentos, mas tamb\u00e9m daqueles relacionados aos projetos de Hidrog\u00eanio Verde e de pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios\u201d, conta Andr\u00e9a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa fase inicial do Setor 2, a ZPE Cear\u00e1 est\u00e1 investindo cerca de R$ 13 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura de controle operacional prevista na Lei Federal n\u00ba 11.508\/2007 (Gates). Isso inclui vias de acesso e secund\u00e1rias, infraestrutura de transmiss\u00e3o de energia el\u00e9trica, abastecimento de \u00e1gua, esgoto e drenagem, ilumina\u00e7\u00e3o, fibra \u00f3tica e circuito fechado de televis\u00e3o. O Setor 2 conta ainda com quatro balan\u00e7as para pesagem at\u00e9 120 toneladas, al\u00e9m de um bloco administrativo com data center e estacionamento externo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201c<\/strong>O Governo do Estado do Cear\u00e1, que \u00e9 o acionista majorit\u00e1rio do Complexo do Pec\u00e9m, j\u00e1 assinou 15 memorandos de entendimento para a implanta\u00e7\u00e3o de projetos de Hidrog\u00eanio Verde na \u00e1rea da ZPE Cear\u00e1, com datas de in\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o variadas\u201d, conta a diretora de Opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de mercado, realizado junto com o Observat\u00f3rio da Ind\u00fastria do Sistema Fiec (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Cear\u00e1), identificou outros cinco setores com grande potencial para serem instalados no Setor 2: alimentos; equipamentos de inform\u00e1tica e eletr\u00f4nicos; m\u00e1quinas e aparelhos el\u00e9tricos; metalurgia; e minerais n\u00e3o met\u00e1licos.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9a destaca que o Cear\u00e1 j\u00e1 possui um amplo potencial para gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, primordial para viabilizar o desenvolvimento do mercado de Hidrog\u00eanio Verde:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLevando em conta a capacidade instalada e o potencial j\u00e1 calculado de novas instala\u00e7\u00f5es de fontes renov\u00e1veis (e\u00f3licas ou fotovoltaicas) \u2013 al\u00e9m de um grande tesouro do Cear\u00e1, que \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o entre as fontes solar e e\u00f3lica, em processo h\u00edbrido \u2013 temos um ambiente bastante favor\u00e1vel para esses neg\u00f3cios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, lembra Andr\u00e9a, o Cear\u00e1 oferece uma s\u00e9rie de incentivos tribut\u00e1rios para os estabelecimentos autorizados a operar na ZPE, incluindo a isen\u00e7\u00e3o de ICMS em algumas opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda de bens e mercadorias. \u201cEsses benef\u00edcios, somados aos incentivos da legisla\u00e7\u00e3o federal, oferecem ainda mais competitividade \u00e0s empresas em Pec\u00e9m\u201d, acrescenta a diretora.<\/p>\n\n\n\n<p>O Complexo de Pec\u00e9m \u2013 composto pela ZPE Cear\u00e1, pelo porto e por uma \u00e1rea industrial \u2013 j\u00e1 possui infraestrutura portu\u00e1ria com novos ber\u00e7os de atraca\u00e7\u00e3o em \u00e1rea de futura amplia\u00e7\u00e3o, com capacidade e calado operacionais adequados \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de Hidrog\u00eanio Verde. Al\u00e9m disso, conta com rede el\u00e9trica compat\u00edvel com as demandas das usinas de eletr\u00f3lise (processo qu\u00edmico para obten\u00e7\u00e3o de Hidrog\u00eanio Verde), al\u00e9m de uma ampla rede de distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s que conecta todo o Complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm fevereiro, o governo do estado inaugurou a segunda expans\u00e3o do Porto do Pec\u00e9m, com um investimento de R$ 772,8 milh\u00f5es e novos equipamentos: port\u00e3o de acesso, ponte para os p\u00ederes e um ber\u00e7o de atraca\u00e7\u00e3o\u201d, conta a diretora Andr\u00e9a. Somente com os projetos de Hidrog\u00eanio Verde, o Governo do Cear\u00e1 projeta a gera\u00e7\u00e3o de mais de 5 mil empregos na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Imbituba, Santa Catarina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Autorizada desde 1994, a ZPE de Imbituba, em Santa Catarina (que fica a apenas 5 quil\u00f4metros da cidade de mesmo nome), era mais uma paralisada pela falta de um marco legal moderno. Desde 94, n\u00e3o faltaram tentativas do governo de Santa Catarina para viabilizar a ZPE, chegando inclusive a fazer investimentos em infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, sob o novo marco legal, a coisa mudou da \u00e1gua para o vinho: o projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o da Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o e de sua infraestrutura j\u00e1 recebe novos investimentos do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO governador Carlos Mois\u00e9s (sem partido) est\u00e1 empenhado em fazer a coisa acontecer, com todo apoio das Secretarias Estaduais de Fazenda e de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel. Estamos em fase final de elabora\u00e7\u00e3o de certame licitat\u00f3rio para contrata\u00e7\u00e3o de projetos\u201d, conta Jeferson Machado, presidente da Imbituba Administradora da Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o (Iazpe). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Imbituba \u00e9 uma pequena e jovem cidade portu\u00e1ria do Sul de Santa Catarina, com pouco mais de 45 mil habitantes. O munic\u00edpio foi criado em 1958, ap\u00f3s sua separa\u00e7\u00e3o da vizinha Laguna. A cidade \u00e9 conhecida por suas praias, que fazem de Imbituba um dos principais polos de turismo do litoral catarinense. Tamb\u00e9m recebe competi\u00e7\u00f5es esportivas nacionais de surfe e windsurfe \u2013 em uma de suas praias, a da Vila, ocorrem as maiores ondas do Brasil. \u201cAt\u00e9 o fim do ano, pretendemos come\u00e7ar as obras de execu\u00e7\u00e3o para, em 2023, a ZPE entrar em opera\u00e7\u00e3o.\u201d, diz Jeferson.<\/p>\n\n\n\n<p>Localizada \u00e0s margens da rodovia BR-101, a ZPE de Imbituba conta, em sua primeira fase de implanta\u00e7\u00e3o, com uma \u00e1rea dispon\u00edvel de 59 hectares, podendo ser ampliada at\u00e9 200 hectares. As oportunidades locais s\u00e3o in\u00fameras e j\u00e1 atra\u00edram a aten\u00e7\u00e3o de duas grandes empresas catarinenses, a Mormaii (roupas, acess\u00f3rios e equipamentos esportivos) e a Intelbras (equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es), ambas com suas sedes pr\u00f3ximas a Imbituba.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSanta Catarina apresenta v\u00e1rios neg\u00f3cios com voca\u00e7\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o. Temos muita ind\u00fastria t\u00eaxtil e de cer\u00e2mica e a capital, Florian\u00f3polis (a menos de 100 quil\u00f4metros e Imbituba), \u00e9 um polo de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (TI). Depois do marco legal, a procura das empresas por informa\u00e7\u00f5es da ZPE cresceu muito. J\u00e1 fizemos alguns eventos grandes de divulga\u00e7\u00e3o, inclusive dentro do porto de Imbituba\u201d, conta Jeferson.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Imbituba, o governo de Santa Catarina tem planos para mais duas ZPEs: a de Lages (no Centro-Sul do estado, a 270 quil\u00f4metros de Florian\u00f3polis) e a de Dion\u00edsio Cerqueira (no extremo Oeste de Santa Catarina, na fronteira com a Argentina). \u201cPor\u00e9m, no momento, todo o foco do estado est\u00e1 na ZPE de Imbituba, que, com certeza, n\u00f3s vamos inaugurar em 2023, j\u00e1 com muitas empresas participando!\u201d, assegura Jeferson.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Itaqui, S\u00e3o Lu\u00eds (MA)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da \u00e1rea do porto de mesmo nome, em S\u00e3o Lu\u00eds, a ZPE de Itaqui foi uma das primeiras do Brasil a ser autorizada: seu decreto de cria\u00e7\u00e3o foi assinado em 1988. Por\u00e9m, a autoriza\u00e7\u00e3o caducou, ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas de viabilizar o projeto. Agora, num esfor\u00e7o conjunto da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Maranh\u00e3o (Fiema), do governo maranhense e do Porto de Itaqui (que \u00e9 uma subsidi\u00e1ria estadual), em parceria ainda com as universidades federal e estadual, a ZPE maranhense est\u00e1 dando passos concretos para obter nova autoriza\u00e7\u00e3o e ser inaugurada em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Dantas da Rocha Neto \u00e9 ex-secret\u00e1rio estadual de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Turismo do Maranh\u00e3o e presidente da ZPE de Itaqui desde sua cria\u00e7\u00e3o. Ele conta que, apesar do insucesso, o Maranh\u00e3o foi pioneiro entre as ZPEs brasileiras:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa \u00e9poca, quando ainda se chamava ZPE de S\u00e3o Lu\u00eds, havia o desafio de se criar a primeira Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o do Brasil no Maranh\u00e3o. Mas tivemos muitas dificuldades internas e trocas de governo \u2013 que \u00e9 uma quest\u00e3o muito s\u00e9ria, porque um dos fatores que contribuem para o \u00eaxito de uma ZPE \u00e9 a converg\u00eancia pol\u00edtica. Mesmo que o governo n\u00e3o atue como gestor, ele precisa dar o pontap\u00e9 inicial. Isso aconteceu, mas naquele tempo n\u00e3o t\u00ednhamos nenhuma experi\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para superar a falta de experi\u00eancia, a ZPE enviou um t\u00e9cnico, que era engenheiro e arquiteto, para fazer um workshop em Shannon, na Irlanda. \u201cFoi para l\u00e1 que a China tamb\u00e9m mandou um t\u00e9cnico e, quando ele voltou e mostrou o que aprendeu, Deng Xiaoping (l\u00edder supremo da China comunista ap\u00f3s a morte de Mao Ts\u00e9-Tung) decidiu criar as ZPEs no pa\u00eds, que hoje tem mais de 2,5 mil Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o\u201d, conta Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>O executivo lembra que a ZPE chegou a ter prontos os projetos de alfandegamento e de implanta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o plano diretor. No caso da quest\u00e3o fundi\u00e1ria, uma das mais importantes para instalar uma Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o, Pedro conta que havia uma perspectiva promissora:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00e1rea da ZPE \u2013 que fica praticamente dentro do porto, a apenas 2 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia \u2013 tinha um propriet\u00e1rio, que era detentor de um t\u00edtulo aut\u00eantico de sesmaria. Ele se propunha a entrar com o terreno, capitalizando a administradora. Para o governo, foi maravilhoso, pois n\u00e3o precisaria desapropriar \u00e1rea nenhuma, nem investir em nada. O dono entrava com a \u00e1rea e se transformava em controlador da empresa, que \u00e9 de economia mista.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que, quando aconteceu, j\u00e1 estava no fim do governo. E, como acionista majorit\u00e1rio, era o governo estadual que tinha que convocar uma assembleia geral dos acionistas para fazer essa altera\u00e7\u00e3o de capital e passar o controle para a iniciativa privada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra 2008 e j\u00e1 estava tudo resolvido, precisava apenas que o governo aportasse um pouco de dinheiro na estrutura de capital. O prazo para implantar a ZPE estava se esgotando, era preciso fazer aquilo acontecer r\u00e1pido, mas a ent\u00e3o governadora Roseana Sarney, em final de mandato, n\u00e3o conseguiu realizar a chamada de capital. O prazo esgotou e a ZPE caducou. Morremos na praia, mas agora vamos ressuscitar o projeto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, h\u00e1 uma nova vis\u00e3o. Pedro recebeu da Fiema a encomenda de fazer um estudo de pr\u00e9-viabilidade da ZPE. \u201cJ\u00e1 conclu\u00ed e entreguei, e isso reacendeu as luzes sobre nossa ZPE, principalmente ap\u00f3s a mudan\u00e7a radical do marco legal. E \u00e9 uma iniciativa em parceria com as universidades federal e estadual, com acordos de inten\u00e7\u00f5es para trocar de experi\u00eancias e informa\u00e7\u00f5es em ci\u00eancia e tecnloogia. Por exemplo, toda a cartografia da \u00e1rea da ZPE foi feita com apoio do sistema de geoprocessamento da universidade estadual.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro revela que seu estudo de pr\u00e9-viabilidade apontou que a ZPE \u00e9 extremamente vi\u00e1vel: \u201cMinha opini\u00e3o pessoal \u00e9 de que uma ZPE localizada pr\u00f3xima ao litoral do Maranh\u00e3o, perto de S\u00e3o Lu\u00eds e junto ao porto, pode ser a mais vi\u00e1vel do nosso pa\u00eds. Porque o Maranh\u00e3o \u00e9 uma das grandes fronteiras do agroneg\u00f3cio brasileiro. No Sul do estado, vem pelas rodovias (que s\u00e3o muito boas) toda a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os do Norte e do Centro-Oeste. O estado tem tamb\u00e9m duas ferrovias, uma no sentido Nordeste e outra que vem do Sul, a Ferrovia Caraj\u00e1s. Essa infraestrutura j\u00e1 existe, \u00e9 um ponto muito positivo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da ZPE de Itaqui destaca tamb\u00e9m o papel do porto, um dos mais relevantes do Norte-Nordeste. \u201cO complexo portu\u00e1rio de Itaqui, que \u00e9 exportador de min\u00e9rio pelos terminais privados da Vale, tamb\u00e9m tem um porto comercial que \u00e9 muito importante, n\u00e3o s\u00f3 na parte de petr\u00f3leo e derivados, mas tamb\u00e9m porque possui um terminal de gr\u00e3os que \u00e9 um dos mais bem aparelhados do pa\u00eds. Toda a produ\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita no sul do Piau\u00ed e do Maranh\u00e3o escoa atrav\u00e9s de Itaqui, sem processamento, in natura. O Maranh\u00e3o \u00e9 o maior exportador de min\u00e9rio de ferro e um dos maiores de gr\u00e3os. N\u00f3s precisamos transformar isso: come\u00e7ar a agregar valor a tudo isso que passa em nossa porta, e que hoje a gente n\u00e3o faz absolutamente nada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de milho e soja, o Maranh\u00e3o tamb\u00e9m tem uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola expressiva que pode se beneficiar da ZPE. \u201cNo intervalo das safras de gr\u00e3os e milho, temos as safrinhas de feij\u00e3o e de culturas intermedi\u00e1rias, como abacaxi, acerola e outras frutas. A potencialidade \u00e9 muito grande\u201d, destaca Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do agroneg\u00f3cio, a Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds conta com um dos maiores complexos de produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio e alumina do pa\u00eds, que s\u00e3o exportados em lingotes, sobretudo para Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o. \u201cA Alumar, respons\u00e1vel por essa produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio e alumina, pode jogar essa opera\u00e7\u00e3o na ZPE. \u00c9 uma grande oportunidade para eles! Porque j\u00e1 est\u00e3o estabelecidos l\u00e1 e a nova lei permite que uma empresa possa ficar fora do per\u00edmetro alfandegado da ZPE, desde que fique dentro do raio de 30 quil\u00f4metros\u201d, avalia Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tantas possibilidades, o executivo tem um grande desafio: conseguir renovar a autoriza\u00e7\u00e3o da ZPE. \u201cTemos v\u00e1rios caminhos\u201d, explica. \u201cUm deles \u00e9 reabilitar a parte formal, que j\u00e1 tem o administrador formado, que \u00e9 uma empresa chamada Azpema, de economia mista, da qual ainda sou o presidente. Existe tamb\u00e9m todo um processo de aprova\u00e7\u00e3o dentro do Conselho Nacional das ZPE. Acredito que consigamos a autoriza\u00e7\u00e3o nova ainda este ano. Conta a nosso favor a mudan\u00e7a de mentalidade e de postura do governo federal, que antes era muito frio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ZPEs. \u00c9 preciso, sobretudo, vontade pol\u00edtica para fazer, e acho que agora temos. Al\u00e9m disso, o empresariado e a academia est\u00e3o conosco. Estou muito confiante!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/zpeparnaiba.com\/noticia\/forum-realizado-no-piaui-mobiliza-outros-estados-em-prol-de-suas-zpes\">Por PH Noronha, jornalista.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 15 minutos<\/small> Compareceram \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o da ZPE Parna\u00edba e ao IV F\u00f3rum Brasileiro de ZPEs, nos dia 14 e 15 de fevereiro, representantes de Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o de nada menos que 13 estados brasileiros \u2013 Acre, Bahia, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Minas Gerais, Par\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Santa Catarina. Tudo indica que o novo marco legal do setor (Lei n\u00ba 14.184\/2021) acordou um gigante adormecido&#8230; Projetos que estavam h\u00e1 alguns anos nas gavetas, esperando <a href=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2022\/03\/05\/forum-realizado-no-piaui-mobiliza\/\" class=\"more-link\"><span>Continue lendo<\/span>\u2192<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4934,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["entry","author-adm_hb2018","post-4930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4930"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4932,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4930\/revisions\/4932"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}