{"id":6356,"date":"2024-03-18T19:39:23","date_gmt":"2024-03-18T22:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=6356"},"modified":"2024-03-18T19:39:24","modified_gmt":"2024-03-18T22:39:24","slug":"2024-o-ano-do-hidrogenio-verde-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2024\/03\/18\/2024-o-ano-do-hidrogenio-verde-no-brasil\/","title":{"rendered":"2024: o ano do hidrog\u00eanio verde no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 5 minutos<\/small><\/p> \n<p>Por Luis Claudio Viga<\/p>\n\n\n\n<p>O atual cen\u00e1rio global de alerta sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tem refor\u00e7ado a necessidade de um amplo e urgente processo de descarboniza\u00e7\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, contexto no qual o hidrog\u00eanio verde, produzido por meio da eletr\u00f3lise da \u00e1gua utilizando fontes renov\u00e1veis, tem se destacado como uma promissora ind\u00fastria que produz energia alternativa, limpa e de alta efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu potencial diverso de uso, seja como combust\u00edvel ou como mat\u00e9ria-prima para ind\u00fastrias de a\u00e7o, fertilizantes, cimento e outros, o H2V, como \u00e9 conhecido, n\u00e3o apenas representa a oportunidade de uma significativa redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono e, consequentemente, de uma economia mais sustent\u00e1vel, como tamb\u00e9m faz parte do planejamento estrat\u00e9gico e de soberania de muitos governos, por ser um importante elemento para a diversifica\u00e7\u00e3o de suas matrizes energ\u00e9ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tamanha relev\u00e2ncia, \u00e9 mais do que justificado o interesse de tantos pa\u00edses na corrida pelo hidrog\u00eanio verde, onde o vencedor ir\u00e1 colher os frutos pela lideran\u00e7a da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Potencial do Nordeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, h\u00e1 interesse por esta ind\u00fastria em v\u00e1rias regi\u00f5es. Por\u00e9m, dentre as mais interessadas no H2V, destaca-se o Nordeste, tanto por sua alta capacidade, instalada e potencial, de gera\u00e7\u00e3o de energia solar e e\u00f3lica quanto pelos portos localizados de maneira estrat\u00e9gica em rela\u00e7\u00e3o aos mercados estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Bahia, Pernambuco, Piau\u00ed e Rio Grande do Norte j\u00e1 possuem projetos anunciados na \u00e1rea, mas \u00e9 o Cear\u00e1 que lidera a corrida nacional com o Hub de Hidrog\u00eanio Verde, projeto do&nbsp;Complexo Industrial e Portu\u00e1rio do Pec\u00e9m&nbsp;(CIPP), lan\u00e7ado em 2021 em parceria com a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Cear\u00e1 (FIEC) e a Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os diferenciais do Complexo est\u00e3o sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, conectado \u00e0s rotas mar\u00edtimas mais r\u00e1pidas para a Europa, Estados Unidos e Norte da \u00c1frica, sua parceria com o Porto de Roterd\u00e3, principal Hub de Hidrog\u00eanio na Europa, sua proximidade com o mercado consumidor europeu, e sua \u00e1rea industrial, que inclui a Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o mais madura em opera\u00e7\u00e3o no Brasil. Diante de tamanho potencial, o Complexo de Pec\u00e9m se tornou objeto de interesse de diversas empresas, entre elas a Fortescue.<\/p>\n\n\n\n<p>Com investimento de at\u00e9 US$ 5 bilh\u00f5es, o projeto da Fortescue, o&nbsp;primeiro a receber licen\u00e7a pr\u00e9via no Cear\u00e1, como resultado do estudo de impacto ambiental, produzir\u00e1 H2V e seus derivados ao mercado interno e externo, integrando toda uma cadeia industrial e apoiando o processo de descarboniza\u00e7\u00e3o do Brasil, al\u00e9m de contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico da regi\u00e3o atrav\u00e9s da gera\u00e7\u00e3o de 5 mil empregos durante sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista o processo de produ\u00e7\u00e3o do H2V, o Brasil possui outras fortes vantagens competitivas, para al\u00e9m da estrutura e caracter\u00edsticas do Porto do Pec\u00e9m. Com mais de 90% da matriz energ\u00e9tica total renov\u00e1vel verificada nos \u00faltimos anos, o Brasil \u00e9 o terceiro pa\u00eds em capacidade instalada de energia renov\u00e1vel no mundo, atr\u00e1s apenas de EUA e China.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pa\u00eds possui um sistema integrado nacional que garante energia cont\u00ednua e em longas dist\u00e2ncias e um extenso conhecimento sobre o tema, seja na produ\u00e7\u00e3o de parques, comercializa\u00e7\u00e3o ou sistemas de certifica\u00e7\u00e3o confi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dos aspectos acima mencionados, fica evidente que o Brasil ocupa uma posi\u00e7\u00e3o bastante favor\u00e1vel na corrida pelo H2V. Entretanto, essa vantagem pode acabar dentro de alguns anos, uma vez que outros pa\u00edses, como EUA, Ar\u00e1bia Saudita e Chile, t\u00eam investido cada vez mais na limpeza de sua matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exemplo internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA, um dos grandes investidores da ind\u00fastria do H2V, t\u00eam oferecido incentivos fiscais significativos para projetos de energia limpa, incluindo o hidrog\u00eanio verde, atrav\u00e9s do Inflation Reduction Act (IRA) e do Infrastructure Investment and Jobs Act (IIJA).<\/p>\n\n\n\n<p>O IRA, assinado em 2022, contempla um pacote de gastos de US$ 360 bilh\u00f5es em energia e clima, com incentivos que podem chegar a at\u00e9 US$ 3 por quilo de hidrog\u00eanio produzido. J\u00e1 o IIJA, assinado em 2021, autoriza US$ 1,2 trilh\u00e3o para gastos em transporte e infraestrutura, sendo US$ 9,5 bilh\u00f5es destinados a projetos de produ\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando as movimenta\u00e7\u00f5es realizadas por outras na\u00e7\u00f5es, fica claro que o contexto atual de vantagem brasileira \u00e9 bastante circunstancial e tempor\u00e1rio \u2013 o pa\u00eds come\u00e7ou \u00e0 frente de todos na largada, mas pode ser alcan\u00e7ado por outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 crucial que o Brasil compreenda que, para manter sua competitividade, al\u00e9m de suas vantagens estruturais, precisa oferecer \u00e0 ind\u00fastria outros elementos de apoio, como um ambiente jur\u00eddico favor\u00e1vel, com regulamenta\u00e7\u00e3o clara para o setor, principalmente&nbsp;pol\u00edticas de incentivo, fomento e est\u00edmulo \u00e0 demanda interna e investimentos em P&amp;D.<\/p>\n\n\n\n<p>Desperdi\u00e7ar essa vantagem por conta da inatividade significa ficar para tr\u00e1s na neoindustrializa\u00e7\u00e3o e sofrer entraves e taxa\u00e7\u00f5es na comercializa\u00e7\u00e3o internacional de diversos produtos de destaque.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2024 tem (quase) todas as condi\u00e7\u00f5es para ser o ano do hidrog\u00eanio verde no Brasil. Resta saber se o pa\u00eds far\u00e1 o necess\u00e1rio para\u00a0aproveitar a oportunidade de liderar essa corrida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Luis Claudio Viga \u00e9 Country Manager da Fortescue no Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 5 minutos<\/small> Por Luis Claudio Viga O atual cen\u00e1rio global de alerta sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tem refor\u00e7ado a necessidade de um amplo e urgente processo de descarboniza\u00e7\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, contexto no qual o hidrog\u00eanio verde, produzido por meio da eletr\u00f3lise da \u00e1gua utilizando fontes renov\u00e1veis, tem se destacado como uma promissora ind\u00fastria que produz energia alternativa, limpa e de alta efici\u00eancia. 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