{"id":7660,"date":"2025-05-13T10:27:27","date_gmt":"2025-05-13T13:27:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=7660"},"modified":"2025-05-13T10:27:33","modified_gmt":"2025-05-13T13:27:33","slug":"falta-de-conexao-a-rede-ameaca-grandes-investimentos-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2025\/05\/13\/falta-de-conexao-a-rede-ameaca-grandes-investimentos-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Falta de conex\u00e3o \u00e0 rede amea\u00e7a grandes investimentos no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 7 minutos<\/small><\/p> \n<p>Imagine um empreendimento que vai demandar um investimento estimado em R$ 26 bilh\u00f5es, possui todas as licen\u00e7as prontas para come\u00e7ar as obras, mas teve negada a garantia futura do acesso \u00e0 rede do Sistema Interligado Nacional (SIN), que faz a energia el\u00e9trica chegar \u00e0s casas e \u00e0s empresas. Foi o que ocorreu com o projeto da empresa Solatio que vai se instalar no munic\u00edpio de Parna\u00edba, no Piau\u00ed. O parecer de acesso de carga \u2013 que estabelece a garantia da energia futura \u2013 foi negado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) a, pelo menos, mais quatro futuras f\u00e1bricas de hidrog\u00eanio verde e um data center, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor de Novos Neg\u00f3cios da empresa Solatio, Eduardo Azevedo, disse que a empresa est\u00e1 recorrendo da decis\u00e3o do ONS, fazendo estudos e que sem a conex\u00e3o el\u00e9trica muitos projetos de produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde, previstos para se implantarem no Nordeste, perder\u00e3o a viabilidade econ\u00f4mica. \u201cEstamos avaliando a possibilidade de fazer o armazenamento de energia, mas o projeto vai ficar mais caro\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A Solatio planeja produzir hidrog\u00eanio verde e am\u00f4nia. O projeto da empresa foi aprovado, em mar\u00e7o de 2025, pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o (CZPE), do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os para implanta\u00e7\u00e3o na Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o do Parna\u00edba com redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria. Segundo Eduardo, o projeto j\u00e1 tem o comprador dos produtos a serem fabricados. A previs\u00e3o era de que a unidade entrasse em opera\u00e7\u00e3o em 2029.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Potencial do Nordeste<\/h3>\n\n\n\n<p>O Nordeste estava sendo visto com um grande potencial para produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde, principalmente por ser uma grande produtor de energia renov\u00e1vel. \u201cA regi\u00e3o tem energia barata e produz em hor\u00e1rios complementares, o que ocorre com as fontes de gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e solar. Caso n\u00e3o ocorra a conex\u00e3o, n\u00e3o vai conseguir transformar energia el\u00e9trica em hidrog\u00eanio verde. Entendemos que parte desta infraestrutura existe, mas n\u00e3o est\u00e1 disponibilizada por causa de uma opera\u00e7\u00e3o conservadora do sistema\u201d, resume Eduardo.<\/p>\n\n\n\n<p>O ONS passou a operar o SIN de forma conservadora \u2013 transportando menos energia do que a atual capacidade de muitas linhas de transmiss\u00e3o \u2013 depois do apag\u00e3o de agosto de 2023. Na \u00e9poca, foi divulgado que o apag\u00e3o ocorreu por causa das energias renov\u00e1veis, informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 contestada pelos t\u00e9cnicos do setor. Mas as linhas de transmiss\u00e3o estarem operando abaixo da sua capacidade n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema. Tamb\u00e9m faltam investimento em linhas de transmiss\u00e3o e refor\u00e7o da infraestrutura el\u00e9trica no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do projeto da Solatio, os quatro projetos que tiveram a garantia da futura conex\u00e3o negada envolvem investimentos superiores a R$ 100 bilh\u00f5es, levando em considera\u00e7\u00e3o os valores anunciados quando os empreendimentos foram divulgados. Estes grandes projetos v\u00e3o levar um tempo para sair do papel e devem entrar em opera\u00e7\u00e3o, pelo menos, a partir de 2029. Entre os projetos com os pareceres negados, est\u00e3o a f\u00e1brica de hidrog\u00eanio verde e um data center da Casa dos Ventos no Cear\u00e1. A assessoria da Casa dos Ventos informou que a empresa n\u00e3o vai comentar o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cear\u00e1 ser\u00e1 o Estado mais prejudicado com a negativa do ONS. Dos cinco grandes projetos, quatro est\u00e3o no Cear\u00e1. \u201cTodos os projetos do Nordeste que pediram a futura garantia de conex\u00e3o foram negados\u201d, diz a CEO da&nbsp;<a href=\"https:\/\/abihv.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Hidrog\u00eanio Verde&nbsp;<\/a>(ABIHV), Fernanda Delgado. A negativa do ONS ocorreu em janeiro. A entidade contratou a Cepel para fazer consultoria em um estudo numa parceria com a Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) que aponte solu\u00e7\u00f5es para este problema.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/movimentoeconomico.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Fernanda-Delgado-hidrogenio-verde-1024x683.jpeg\" alt=\"Fernanda Delgado - Hidrog\u00eanio Verde - ABIHV\" class=\"wp-image-65110\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><em>A CEO da ABIHV, Fernanda Delgado, diz que a entidade contratou um estudo para apontar solu\u00e7\u00f5es para o problema. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O impacto que a falta de conex\u00e3o pode trazer<\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cDe maneira geral, o setor precisa ter o parecer da futura garantia \u00e0 conex\u00e3o da rede para conseguir financiamento no mercado financeiro\u201d, conta Fernanda, acrescentando que a entidade est\u00e1 em di\u00e1logo aberto com v\u00e1rias inst\u00e2ncias do governo federal que t\u00eam dado sinaliza\u00e7\u00f5es boas para a ind\u00fastria. A expectativa da entidade \u00e9 de que o estudo da EPE fique pronto at\u00e9 agosto e no in\u00edcio de 2026 ocorram leil\u00f5es de obras que podem melhorar esta infraestrutura \u00e0 rede el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernanda diz esperar que estas obras n\u00e3o ocorram com tantos atrasos e argumenta, que caso n\u00e3o seja encontrada uma solu\u00e7\u00e3o, os investidores v\u00e3o se direcionar para outros lugares, onde tem a garantia de acesso \u00e0 conex\u00e3o da rede el\u00e9trica. \u201cAcreditamos numa solu\u00e7\u00e3o comum, porque s\u00e3o oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda que representam uma grande oportunidade para o Nordeste\u201d. Ela tamb\u00e9m argumenta que existem ajustes operacionais que podem ser feitos pela ONS para que a atual rede el\u00e9trica receba mais energia.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor t\u00e9cnico regulat\u00f3rio da a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica e Novas Tecnologias (Abee\u00f3lica)&nbsp;, Francisco Silva, afirmou que a nega\u00e7\u00e3o dos pareceres de futura garantia de conex\u00e3o ao SIN deixa o setor muito preocupado. Ele afirma que os empreendimentos que tiveram o parecer do acesso a conex\u00e3o negados s\u00e3o eletrointensivos, precisam de muita energia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe houvesse um planejamento adequado ali da parte do sistema, n\u00f3s estar\u00edamos conseguindo colocar essas cargas e at\u00e9 viabilizar tamb\u00e9m mais oferta para dentro do nosso sistema\u201d, explica Francisco. Ele argumenta tamb\u00e9m que a responsabilidade pelo sistema el\u00e9trico n\u00e3o \u00e9 de responsabilidade de apenas um \u00f3rg\u00e3o, pessoa ou gest\u00e3o, mas foi o resultado de muitos anos de planejamento de um sistema el\u00e9trico que \u201cmudou bastante e estava acostumado a se expandir de forma menos r\u00e1pida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cita que as usinas hidrel\u00e9tricas, usinas termel\u00e9tricas demoravam em torno de cerca de 5, 6, 7 anos, muitas vezes, entre o in\u00edcio da sua constru\u00e7\u00e3o e a efetiva entrada em opera\u00e7\u00e3o comercial. \u201cAgora, por exemplo, temos usinas solares que ficam prontas em cerca de um ano e usinas e\u00f3licas que ficam prontas em cerca de um ano e meio. Isso traz um desafio sist\u00eamico adicional, porque n\u00e3o se consegue expandir o sistema em termos de transmiss\u00e3o t\u00e3o rapidamente quanto voc\u00ea consegue expandir em termos da oferta de gera\u00e7\u00e3o\u201d,conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns entrevistados tamb\u00e9m argumentaram que tamb\u00e9m n\u00e3o estava previsto, h\u00e1 cerca de 10 anos, a implanta\u00e7\u00e3o destes grandes empreendimentos de hidrog\u00eanio verde, eletrointensivos. \u201cEntendemos que \u00e9 necess\u00e1rio que o sistema avalie a necessidade de um planejamento prospectivo para atender, anos \u00e0 frente, as cargas e ofertas que v\u00e3o se viabilizar ao longo do tempo. Sai mais barato para o sistema uma sobreoferta de transmiss\u00e3o do que o que est\u00e1 acontecendo agora\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O lado do ONS<\/h3>\n\n\n\n<p>O ONS informou, por nota, que \u201cas negativas de acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN) para projetos de Data Centers e Hidrog\u00eanio Verde decorrem da inexist\u00eancia de rede de transmiss\u00e3o dispon\u00edvel para atender, com seguran\u00e7a, os elevados montantes de demanda solicitados. Cada solicita\u00e7\u00e3o \u00e9 analisada de forma individual, com base em crit\u00e9rios t\u00e9cnicos estabelecidos nos Procedimentos de Rede, e os pareceres emitidos indicam os impactos da conex\u00e3o dessas cargas ao sistema el\u00e9trico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o ONS, a \u201cconex\u00e3o de grandes consumidores, como data centers e plantas de hidrog\u00eanio verde, representa um novo desafio para sistemas el\u00e9tricos em todo o mundo. Essas cargas, de natureza disruptiva, t\u00eam surgido recentemente com demandas muito elevadas \u2014 muitas vezes da ordem de gigawatts (GW) \u2014 concentradas em pontos espec\u00edficos do sistema, o que foge aos padr\u00f5es hist\u00f3ricos de crescimento da carga considerados no planejamento da expans\u00e3o da transmiss\u00e3o, que se baseia em proje\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas e demogr\u00e1ficas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a nota, \u201co ONS, em articula\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), vem atuando para viabilizar solu\u00e7\u00f5es estruturantes que permitam, de forma segura e sustent\u00e1vel, a futura conex\u00e3o dessas novas cargas, resguardando a confiabilidade do atendimento a todos os usu\u00e1rios do sistema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c2ngela Fernanda Belfort<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Fonte: Movimento Econ\u00f4mico | Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 7 minutos<\/small> Imagine um empreendimento que vai demandar um investimento estimado em R$ 26 bilh\u00f5es, possui todas as licen\u00e7as prontas para come\u00e7ar as obras, mas teve negada a garantia futura do acesso \u00e0 rede do Sistema Interligado Nacional (SIN), que faz a energia el\u00e9trica chegar \u00e0s casas e \u00e0s empresas. Foi o que ocorreu com o projeto da empresa Solatio que vai se instalar no munic\u00edpio de Parna\u00edba, no Piau\u00ed. 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