{"id":8055,"date":"2025-07-28T15:45:20","date_gmt":"2025-07-28T18:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=8055"},"modified":"2025-07-28T15:45:20","modified_gmt":"2025-07-28T18:45:20","slug":"industria-quer-usar-plano-para-data-centers-contra-tarifaco-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2025\/07\/28\/industria-quer-usar-plano-para-data-centers-contra-tarifaco-dos-eua\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria quer usar plano para data centers contra tarifa\u00e7o dos EUA"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 8 minutos<\/small><\/p> \n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas reuni\u00f5es entre o governo Lula e representantes do dinheiro tecnol\u00f3gico no Brasil movimentaram a semana. Na pauta, claro, o tarifa\u00e7o dos Estados Unidos. Mas as semelhan\u00e7as param por a\u00ed. Uma reuniu as big techs e lidou com a causa das sobretaxas, pois Google, Meta e companhia sa\u00edram com a miss\u00e3o de trazer demandas sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas. A outra juntou a ind\u00fastria brasileira de tecnologia, que fez uma cobran\u00e7a virar sugest\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o para o conflito comercial.<br>Acontece que, programada para ser enviada ao Congresso em maio, a Pol\u00edtica Nacional dos Data centers reside at\u00e9 agora em uma gaveta do Minist\u00e9rio da Fazenda. Foi at\u00e9 propagandeada aos chef\u00f5es de Nvidia, Microsoft e Amazon em viagem do ministro Fernando Haddad ao Vale do Sil\u00edcio. Mas a pol\u00eamica do IOF azedou o clima para falar em isen\u00e7\u00e3o de tributos. Uma pequena parte do plano saiu do papel com a libera\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios fiscais para centrais de dados voltadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, algo que a ind\u00fastria viu com bons olhos, mesmo que, no curto prazo, beneficie a poucos \u2014leia-se: a dona do TikTok e o governo do Cear\u00e1.<br>A avalia\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 que n\u00e3o pode ficar s\u00f3 nisso. Por isso, a Brasscom (Associa\u00e7\u00e3o das Empresas de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o) sugeriu ao governo brasileiro fazer dos incentivos fiscais para data centers um dos pontos de negocia\u00e7\u00e3o com a Casa Branca, pois os EUA precisam de capacidade de processamento computacional devido ao ritmo acelerado da corrida para dominar a intelig\u00eancia artificial. Para analistas, a estrat\u00e9gia &#8220;para americano ver&#8221; n\u00e3o considera uma &#8220;confus\u00e3o legislativa&#8221; criada pela profus\u00e3o de regras para a IA.<br>O que rolou?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No forno desde o finzinho de abril, o Plano Nacional de Data centers tem como iniciativa mais imediata um regime de benef\u00edcios fiscais. \u00c9 o Redata, que:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Vai isentar dos tributos federais a constru\u00e7\u00e3o das centrais e a importa\u00e7\u00e3o de equipamentos para elas. Nas contas da Fazenda\u2026<\/li>\n\n\n\n<li>\u2026 O potencial de atra\u00e7\u00e3o de investimentos \u00e9 de R$ 2 trilh\u00f5es. S\u00f3 que:<\/li>\n\n\n\n<li>\u2026 Editado como MP, o Redata nunca foi enviado ao Congresso, coisa que deixou a ind\u00fastria ansiosa\u2026<br>&#8220;O n\u00edvel de ansiedade est\u00e1 alto, porque todo mundo tem planos&#8221;<br><strong>Affonso Nina, presidente da Brasscom<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u2026 Na reuni\u00e3o, realizada para pedir que o governo &#8220;avance com celeridade&#8221;, estavam presentes os representantes de algumas big techs, como Amazon Web Services, Microsoft e Oracle -a associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possui membros nacionais, como Elea, e estatais, como Dataprev. E\u2026<\/li>\n\n\n\n<li>\u2026 Diante do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, e de Dario Durigan, secret\u00e1rio-executivo da Fazenda, eles juntaram a fome com a vontade de comer para sugerir o que Nina resume assim:<br>&#8220;&#8216;Dentro da quest\u00e3o da negocia\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, a gente entende que o Brasil tem na quest\u00e3o dos data centers um ponto forte para se aproximar deles e de qualquer pa\u00eds que precise de processamento. H\u00e1 uma demanda crescente a n\u00edvel global, e o Brasil pode ser um fornecedor mundial. A vis\u00e3o de construir esse plano n\u00e3o \u00e9 apenas atender a demanda local, mas atender demanda de fora do Brasil, ou seja, exportar servi\u00e7o&#8221;<br><strong>Affonso Nina<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>\u2026 Segundo estimativas, 60% do processamento de dados do Brasil s\u00e3o feitos no exterior. A conta trilion\u00e1ria da Fazenda considera n\u00e3o s\u00f3 a constru\u00e7\u00e3o de data centers necess\u00e1rios para absorver essa demanda, mas tamb\u00e9m inclui a infraestrutura para dar conta do crescente processo de digitaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e do uso massivo de intelig\u00eancia artificial que vir\u00e1. S\u00f3 que\u2026<\/li>\n\n\n\n<li>\u2026 \u00c9 do interesse do governo &#8211;e a Brasscom evoca esse sentimento&#8211; que o Brasil salte da condi\u00e7\u00e3o de importador para a de exportador de processamento de dados. Ou seja\u2026<\/li>\n\n\n\n<li>\u2026 Atraia para c\u00e1 empresas buscando rodar seus servi\u00e7os digitais ou armazenar seus dados na nuvem. A carta na manga \u00e9 a matriz energ\u00e9tica brasileira, que \u00e9 limpa e renov\u00e1vel, algo que tem se tornado exig\u00eancia pelo mundo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por que \u00e9 importante?<br><\/strong>A minuta do Redata n\u00e3o foi divulgada, mas as vers\u00f5es que circulam mostram que os data centers beneficiados ter\u00e3o de cumprir algumas condi\u00e7\u00f5es de sustentabilidade: ter 100% energia limpa e renov\u00e1vel, possuir alta efici\u00eancia energ\u00e9tica e h\u00eddrica e neutralizar as emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a reuni\u00e3o, Alckmin n\u00e3o deu prazo, mas prometeu atuar em ritmo acelerado. Antes disso, por\u00e9m, o governo Lula tirou do papel parte do plano: por meio de MP, regulamentou a possibilidade de ZPEs (Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o), at\u00e9 ent\u00e3o restritas \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de produtos, estenderem seus benef\u00edcios tribut\u00e1rios para servi\u00e7os. Leia-se: data centers. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 que usem exclusivamente energia limpa e renov\u00e1vel. Dada a condi\u00e7\u00e3o das ZPEs hoje -das 25 lan\u00e7adas, as que funcionam n\u00e3o chegam a cinco-, a medida tem nome e CPNJ: vai beneficiar a ByteDance, dona do TikTok, que negocia com a Casa dos Ventos a instala\u00e7\u00e3o de um data center no Complexo de Pec\u00e9m, a 60 km de Fortaleza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Nina, a medida com poucos benefici\u00e1rios n\u00e3o desagrada, porque a promessa do governo \u00e9 n\u00e3o parar a\u00ed. Mas, diz ele, j\u00e1 h\u00e1 empresas perdendo oportunidades de processar dados no Brasil devido \u00e0 demora para o plano andar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8216;Os interesses pol\u00edticos e regionais existem e s\u00e3o leg\u00edtimos. Falando especificamente do Cear\u00e1, h\u00e1 uma proximidade de cabos submarinos, que \u00e9 um ponto positivo. Tem uma quest\u00e3o de temperatura, que acaba levando a um certo consumo energ\u00e9tico maior, mas hoje isso j\u00e1 \u00e9 bem trabalhado pela tecnologia. O que causaria inc\u00f4modo seria se a pol\u00edtica se restringisse a isso, mas o governo sempre deixou claro que quer fazer algo para todo o Brasil. E essa vis\u00e3o de atender mercado local e de exporta\u00e7\u00e3o nos foi referendada nessa conversa com o ministro&#8221;<br><strong>Affonso Nina, Presidente da Brasscom.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o \u00e9 bem assim, mas t\u00e1 quase l\u00e1<br><\/strong>Por ser a primeira iniciativa da leva de benef\u00edcios a sair do papel, a experi\u00eancia de data centers no Cear\u00e1 poder\u00e1 servir de laborat\u00f3rio para as demais. Para Marina Garrote, coordenadora de pesquisa do think tank Reglab, os recursos naturais representam um ao mesmo tempo um atrativo, pois o estado se destaca em energia renov\u00e1vel, e um desafio, porque a regi\u00e3o sofre com crises h\u00eddricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista de impacto social, diz, esse tipo de empreendimento gera empregos na constru\u00e7\u00e3o civil durante as obras, mas poucos postos de trabalho na hora da opera\u00e7\u00e3o. \u00c9 a a regula\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, que oferece um cen\u00e1rio mais complexo, diz Garrote.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A C\u00e2mara dos Deputados discute o PL da IA, que vai criar regras para essa tecnologia. Antes de a mat\u00e9ria passar no Senado, no fim do ano passado, os CEOs de tr\u00eas das cinco maiores donas de data centers no Brasil se opuseram contra o ponto da proposta que exige remunera\u00e7\u00e3o aos donos dos dados usados para treinar IA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fora isso, o Cear\u00e1 possui desde 2021 uma lei que atribuiu \u00e0s empresas sediadas no estado a responsabilidade pelos danos gerados por seus sistemas de IA. Quem responde ou deixa de responder se as m\u00e1quinas cometerem erros \u00e9 uma das quest\u00f5es que divide opini\u00f5es no Congresso. Em paralelo a tudo isso, os deputados estaduais cearense discutem desde junho novas regras para a instala\u00e7\u00e3o de data centers no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Essas leis estaduais de IA nunca foram testadas. Dentro das compet\u00eancias constitucionais, d\u00e1 para argumentar que o estado tem alguma compet\u00eancia, pelo menos concorrente, de legislar, mas n\u00e3o necessariamente sobre formas de responsabilidade. Mas falta sintonia. Uma esfera do governo federal quer passar o Redata. Mas o legislativo tem o PL de IA, que \u00e9 questionado pelos data centers. E a\u00ed os PLs estaduais divergem ?depois da lei de IA de Goi\u00e1s, j\u00e1 teve bastante discuss\u00e3o sobre se ela avan\u00e7ava em compet\u00eancias do governo federal. O meio de campo est\u00e1 meio bagun\u00e7ado. Minha impress\u00e3o \u00e9 de certa confus\u00e3o&#8221;<br><strong>Marina Garrote, coordenadora de pesquisa do Reglab<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Data center vai acabar com nossa \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ind\u00fastria de tecnologia prepara um estudo sobre o impacto ambiental dos data centers no Brasil. Segundo estimativas preliminares compartilhadas com Radar Big Tech pela Brasscom, o consumo de energia el\u00e9trica atual \u00e9 de 1,4% do total. Para 2030, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 atingir 3%. J\u00e1 o consumo de \u00e1gua \u00e9 estimado em bem menos de 1%. Segundo Affonso Nina, presidente da associa\u00e7\u00e3o, a maioria das centrais de dados usa tecnologia de resfriamento que a \u00e1gua circula pelas instala\u00e7\u00f5es, de modo a evitar o desperd\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os data centers n\u00e3o v\u00e3o acabar nem com energia e muito menos com a \u00e1gua do Brasil. Para qualquer um que vier falar que o data center vai ter um impacto no consumo de \u00e1gua no Brasil, eu estou disposto a mostrar os dados para demonstrar que isso n\u00e3o \u00e9 verdade<br><strong>Affonso Nina, presidente da Brasscom.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Fonte: Tilt Uol | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 8 minutos<\/small> Duas reuni\u00f5es entre o governo Lula e representantes do dinheiro tecnol\u00f3gico no Brasil movimentaram a semana. Na pauta, claro, o tarifa\u00e7o dos Estados Unidos. Mas as semelhan\u00e7as param por a\u00ed. Uma reuniu as big techs e lidou com a causa das sobretaxas, pois Google, Meta e companhia sa\u00edram com a miss\u00e3o de trazer demandas sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas. 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