{"id":8241,"date":"2025-09-14T10:07:06","date_gmt":"2025-09-14T13:07:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=8241"},"modified":"2025-09-14T10:07:07","modified_gmt":"2025-09-14T13:07:07","slug":"zonas-de-processamento-de-exportacao-uma-politica-de-resultados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2025\/09\/14\/zonas-de-processamento-de-exportacao-uma-politica-de-resultados\/","title":{"rendered":"Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o: uma pol\u00edtica de resultados?"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 5 minutos<\/small><\/p> \n<p>| Fabio Pucci | Muito do debate em torno das Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o (ZPE) se concentra em uma quest\u00e3o essencial: gera resultados? Para responder, \u00e9 preciso revisitar o passado \u2014 e olhar com aten\u00e7\u00e3o para os dados mais recentes.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"ember55\"><strong>Um pouco de hist\u00f3ria<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"ember56\">A pol\u00edtica de ZPE foi criada em 1988, com o objetivo de promover o desenvolvimento do pa\u00eds, reduzindo desigualdades regionais por meio do est\u00edmulo ao adensamento industrial voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, 30 ZPE foram autorizadas, mas a maioria foi cassada e grande parte das restantes n\u00e3o saiu do papel at\u00e9 recentemente. O \u00fanico expoente inicial foi a ZPE do Cear\u00e1, inaugurada em 2013, a primeira do Brasil, lastreada em um grande projeto exportador de placas de a\u00e7o. Depois disso, somente em 2022 viria a segunda ZPE, no Piau\u00ed, com a exporta\u00e7\u00e3o de cera de carna\u00faba.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember57\">Muitos param nesse ponto e concluem que \u201cn\u00e3o est\u00e1 dando resultado\u201d ou que \u201cn\u00e3o funciona\u201d. Mas precisamos dividir essa an\u00e1lise em duas partes: o que j\u00e1 aconteceu desde 2013 e o que est\u00e1 acontecendo a partir de 2023.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"ember58\"><strong>O caso do Cear\u00e1<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"ember59\">H\u00e1 muito a destacar sobre os \u00faltimos 12 anos da ZPE do Cear\u00e1. Na \u00faltima semana de agosto de 2025, foi anunciado o alcance dos <strong>100 milh\u00f5es de toneladas de cargas movimentadas<\/strong> desde 2013. S\u00e3o <strong>3 milh\u00f5es de toneladas anuais de placas de a\u00e7o exportadas<\/strong>, agregando valor ao que antes sa\u00eda do pa\u00eds apenas como min\u00e9rio de ferro. O resultado: mais empregos, mais renda e mais desenvolvimento para a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember60\">Al\u00e9m disso, em 2022 foi realizado um estudo com apoio da UNIDO para mensurar os primeiros impactos da pol\u00edtica. O levantamento mostrou ganhos e perdas, desafios e oportunidades, mas j\u00e1 deixou claro um retrato de transforma\u00e7\u00e3o no Cear\u00e1: enorme altera\u00e7\u00e3o da balan\u00e7a comercial, fortalecimento industrial e perspectivas positivas para expans\u00e3o da pol\u00edtica. Em seus passos iniciais, a ZPE j\u00e1 demonstra forte poder de impacto regional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>100 milh\u00f5es de toneladas de cargas j\u00e1 foram movimentadas pelos port\u00f5es da ZPE do Cear\u00e1 desde 2013.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"ember62\"><strong>A virada recente<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"ember63\">Se at\u00e9 2022 apenas duas ZPE estavam em opera\u00e7\u00e3o, <strong>hoje j\u00e1 s\u00e3o quatro<\/strong> \u2014 com a entrada de Mato Grosso e Minas Gerais \u2014 <strong>e dever\u00e3o ser oito<\/strong> at\u00e9 2026, com os avan\u00e7os em Mato Grosso do Sul, Esp\u00edrito Santo, Maranh\u00e3o e Acre. Tirar novas ZPE do papel reverte um dos maiores entraves hist\u00f3ricos da pol\u00edtica \u2014 e representa um marco importante de desbloqueio institucional.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember64\">Por outro lado, muito tenho falado em eventos e conversas sobre a efetividade estrat\u00e9gica da pol\u00edtica: apenas criar distritos empresariais incentivados n\u00e3o basta. Tampouco, cri\u00e1-los e quase que aguardar que as empresas venham naturalmente. O impacto real (com difus\u00e3o tecnol\u00f3gica, adensamento industrial, desenvolvimento econ\u00f4mico e social e redu\u00e7\u00e3o de desigualdades regionais) <strong>s\u00f3 vir\u00e1 por meio dos projetos empresariais sendo populados em n\u00famero relevante dentro dessas ZPE<\/strong>, pois s\u00e3o eles que geram empregos, renda, valor agregado, investimentos e exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember65\">Essa perspectiva tem mudado. Nas reuni\u00f5es do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o (CZPE), realizadas nos \u00faltimos dois anos, <strong>14 novos projetos empresariais<\/strong> foram autorizados em <strong>seis diferentes ZPE<\/strong>. Em comum, apresentam orienta\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o e atributos relevantes de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, sustentabilidade, agrega\u00e7\u00e3o de valor a cadeias locais e impacto econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember66\">No conjunto, representam <strong>R$ 53 bilh\u00f5es em investimentos <\/strong><strong><em>greenfield<\/em><\/strong>, <strong>R$ 31 bilh\u00f5es em novas receitas anuais<\/strong> (87% para exporta\u00e7\u00e3o) e <strong>mais de 5 mil empregos diretos na fase operacional<\/strong>. Apenas na fase de implementa\u00e7\u00e3o, dever\u00e3o&nbsp;superar 30 mil novos empregos diretos e indiretos. E esses n\u00fameros ainda devem crescer com as duas pr\u00f3ximas reuni\u00f5es do CZPE previstas para 2025.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>R$ 53 bilh\u00f5es em novos investimentos em ZPE foram aprovados nos \u00faltimos 2 anos. S\u00e3o empresas que movimentar\u00e3o as economias dos estados do Cear\u00e1, Piau\u00ed, Esp\u00edrito Santo, Maranh\u00e3o, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"ember68\"><strong>Novo cen\u00e1rio institucional e resultados j\u00e1 vis\u00edveis<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p id=\"ember69\">Algumas mudan\u00e7as normativas em 2021 aumentaram a atratividade do regime e a atua\u00e7\u00e3o recente do CZPE estabeleceu um novo padr\u00e3o de rigor e de efetividade. O cuidadoso escrut\u00ednio t\u00e9cnico das propostas e a avalia\u00e7\u00e3o criteriosa feita pelo CZPE t\u00eam priorizado projetos consistentes, alinhados aos objetivos da pol\u00edtica e com real potencial de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember70\">Outro ponto essencial: n\u00e3o se trata agora de aprova\u00e7\u00f5es que ficam no papel. Os projetos j\u00e1 come\u00e7aram a empregar e a executar as primeiras obras. No Cear\u00e1 e no Piau\u00ed, h\u00e1 movimenta\u00e7\u00e3o de terraplanagem e sondagens. Na nova ZPE de Bataguassu (MS), as obras avan\u00e7am, enquanto outros projetos aguardam apenas licen\u00e7as finais para iniciar a execu\u00e7\u00e3o. Projetos de milh\u00f5es e bilh\u00f5es exigem tempo para plena matura\u00e7\u00e3o. A boa not\u00edcia \u00e9 que muitos j\u00e1 est\u00e3o em execu\u00e7\u00e3o \u2014 e outros est\u00e3o prestes a sair do papel.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember71\">Concluir, ent\u00e3o, que ZPE \u00e9 uma pol\u00edtica de 37 anos que n\u00e3o gera resultados seria, no m\u00ednimo, ignorar a evid\u00eancia recente e sua fase de matura\u00e7\u00e3o atual. \u00c9 fato que o passado mais distante caminhou com certas limita\u00e7\u00f5es de efetividade, mas os dados do Cear\u00e1 e os avan\u00e7os dos \u00faltimos anos mostram que o potencial transformador da pol\u00edtica \u00e9 grande e que caminha de forma assertiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Gera resultados? O copo est\u00e1 claramente meio cheio \u2014 e enchendo r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Fabio Pucci | Secret\u00e1rio-Executivo do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o | Presidente do Conselho Fiscal do Centro de Bioneg\u00f3cios da Amaz\u00f4nia | Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/fabio-pucci-0493031\/\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 5 minutos<\/small> | Fabio Pucci | Muito do debate em torno das Zonas de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o (ZPE) se concentra em uma quest\u00e3o essencial: gera resultados? Para responder, \u00e9 preciso revisitar o passado \u2014 e olhar com aten\u00e7\u00e3o para os dados mais recentes. Um pouco de hist\u00f3ria A pol\u00edtica de ZPE foi criada em 1988, com o objetivo de promover o desenvolvimento do pa\u00eds, reduzindo desigualdades regionais por meio do est\u00edmulo ao adensamento industrial voltado \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. 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