{"id":8780,"date":"2026-02-17T11:04:14","date_gmt":"2026-02-17T14:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=8780"},"modified":"2026-02-17T11:04:15","modified_gmt":"2026-02-17T14:04:15","slug":"agua-precisa-deixar-de-ser-risco-e-virar-ativo-estruturante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2026\/02\/17\/agua-precisa-deixar-de-ser-risco-e-virar-ativo-estruturante\/","title":{"rendered":"\u00c1gua precisa deixar de ser risco e virar ativo estruturante"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 5 minutos<\/small><\/p> \n<p>Jos\u00e9 Reinaldo Tavares | A Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco para o Semi\u00e1rido \u00e9 considerada a maior obra de engenharia h\u00eddrica do pa\u00eds, o maior benef\u00edcio feito ao Nordeste at\u00e9 hoje. E olha que tem mais de 70 obras sendo executadas visando ampliar os beneficios da transposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E um projeto que me envaidece muito, muito bem projetado, bem executado, que permitiu parar com o \u00eaxodo da popula\u00e7\u00e3o nordestina em busca de trabalho no Sul e no Sudeste, acabando com as frentes de servi\u00e7o dominadas pela corrup\u00e7\u00e3o. E que deu proje\u00e7\u00e3o internacional ao DNOS pelo trabalho em conjunto com o Bureau of Reclamation do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos com apoio do BIRD.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, se olharmos para o mundo, se olharmos diferentes transposi\u00e7\u00f5es de bacias e os beneticios esperados. veremos que a \u00e1gua pode ser considerada um ativo nacional, t\u00e3o importante quando a defesa e a energia.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1gua \u00e9 fundamental a tudo. A nossa transposi\u00e7\u00e3o tinha o car\u00e1ter regional, social, combatia a sede e garantia \u00e1gua todos os anos no semi\u00e1rido. E foi um \u00eaxito enorme, em todos os estados atendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, no mundo, cada pa\u00eds usa a \u00e1gua com diferentes prop\u00f3sitos. A China, por exemplo, est\u00e1 fazendo um projeto gigantesco, que virou refer\u00eancia mundial, quando o tema \u00e9 seguran\u00e7a h\u00eddrica em grande escala. A ideia central \u00e9 levar \u00e1gua do sul da China para regi\u00f5es \u00e1ridas e superpovoadas do Norte, onde est\u00e3o Pequim, Tianjin e grandes polos industriais e agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p>A escala do projeto impressiona. S\u00e3o mais de 4.000 km de canais, t\u00faneis e aquedutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atende direta ou indiretamente mais de 400 milh\u00f5es de pessoas e a capacidade projetada \u00e9 de 45 bilh\u00f5es de m&#8217; de \u00e1gua por ano. A motiva\u00e7\u00e3o maior do projeto \u00e9 que o Norte da China tem 40% da popula\u00e7\u00e3o, mas tem menos de 20% da \u00e1gua. S\u00e3o regi\u00f5es cr\u00edticas que produzem gr\u00e3os, a\u00e7o, energia, tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 estabilidade econ\u00f4mica nem pol\u00edtica. Vejamos o caso do Maranh\u00e3o. O estado nunca participou de uma transposi\u00e7\u00e3o e seu rio mais importante est\u00e1 no limite para atender 60% da popula\u00e7\u00e3o da Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds &#8211; o que \u00e9 pouco &#8211; e ainda atender \u00e0 ZPE de Bacabeira. A Companhia de \u00c1guas, a Caema, \u00e9 deficit\u00e1ria, a perda de \u00e1gua \u00e9 gigantesca e n\u00e3o tem capacidade de investimento, por si s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>O Nordeste hoje \u00e9 uma regi\u00e3o muito populosa, mas n\u00e3o tem \u00e1gua suficiente para suportar um projeto de desenvolvimento econ\u00f4mico em larga escala. O Maranh\u00e3o, se tiver \u00e1gua suficiente, poder\u00e1 crescer rapidamente, concentrar v\u00e1rias ZPEs, distritos Industriais e, se somar tudo isso ao Porto de Alc\u00e2ntara junto ao Atlantico profundo, seremos imbat\u00edveis, pois ningu\u00e9m ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de competir conosco em fretes mar\u00edtimos de longo Temos energia renov\u00e1vel abundante, trechos ferrovi\u00e1rios ligados aos principais eixos ferrovi\u00e1rios brasileiros, a ZPE-MA, a agroind\u00fastria (cadeias completas, n\u00e3o s\u00f3 a lavoura), zonas logisticas sem compara\u00e7\u00f5es com outros estados relevante para os polos industriais). E, juntando alguns rios relevantes e fazendo a transposi\u00e7\u00e3o, teremos \u00e1gua para consumo, irriga\u00e7\u00e3o em grande escala, ind\u00fastria, energia, seguran\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O Nordeste \u00e9 pobre de integra\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e, liberto disso, ter\u00e1 um crescimento exponencial. A China fez isso, a Calif\u00f3rnia fez isso, a Espanha fez isso. O Brasil tem rios maiores de que todos esses pa\u00edses s\u00f3 que nunca decidiu integrar consumo humano na ponta.<\/p>\n\n\n\n<p>E que rios poderiam suportar um projeto como esse, mesmo juntando ao Maranh\u00e3o outros estados nordestinos?<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9, na verdade, um projeto estruturante para seguran\u00e7a h\u00eddrica, ind\u00fastria e crescimento econ\u00f4mico com um horizonte de 20 anos que poderiamos chamar MARANH\u00e3O- PILOTO REGIONAL DE INTEGRA\u00c7\u00c3O HIDRICA.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que temos que fazer isso? Vamos pegar quatro motivos muito importantes, cham\u00e1-los de desafios estrat\u00e9gicos:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Crescimento urbano exige seguran\u00e7a h\u00eddrica permanente;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ind\u00fastria e ZPEs precisam de \u00e1gua contrat\u00e1vel e previs\u00edvel;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Estiagens aumentam vulnerabilidade<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u00c1gua precisa deixar de ser risco e virar ativo estruturante.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o proposta:<\/p>\n\n\n\n<p>Integra\u00e7\u00e3o dos rios Tocantins + Itapecuru + rios costeiros maranhenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, vamos pensar apenas no Maranh\u00e3o, embora o projeto seja escal\u00e1vel para MA-PI-CE:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Hubs de reserva\u00e7\u00e3o (Norte, Central e Sul);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Separa\u00e7\u00e3o entre \u00e1gua urbana e industrial;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Impacto Econ\u00f4mico Direto um exemplo do que poder\u00e1 ser feito: 4 a 6 polos industriais estruturados, \u00e1gua firme para ZPE e polos log\u00edsticos, integra\u00e7\u00e3o com portos de Itaqui e Alc\u00e2ntara, aumento da atratividade para investimento privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguran\u00e7a H\u00eddrica Urbana:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 4 a 5 milh\u00f5es com abastecimento est\u00e1vel;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Redu\u00e7\u00e3o estrutural de perdas (meta 25%);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Reservat\u00f3rios estrat\u00e9gicos na ilha de S\u00e3o Lu\u00eds;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Redu\u00e7\u00e3o do risco pol\u00edtico e social<\/p>\n\n\n\n<p>Dimens\u00e3o T\u00e9cnica (Cen\u00e1rio Base):<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Vaz\u00e3o \u00fatil total: 13 a 20 m\/s;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Investimento estimado: R$ 45-70 bilh\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Projeto faseado em 3 etapas (20 anos);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Possibilidade de financiamento estruturado (PPP + bancos de desenvolvimento<\/p>\n\n\n\n<p>Fases de Implanta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fase 1 (0 a 5 anos)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fase 2 (5 a 12 anos)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Corredor Tocantins + \u00c1gua Industrial dedicada;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fase 3 (12 a 20 anos);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Consolida\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o regional<\/p>\n\n\n\n<p>Mas de onde vir\u00e1 a \u00e1gua? Do Rio Tocantins, esse rio esquecido que tem cinco vezes a vaz\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, e que hoje toda a imensid\u00e3o de \u00e1gua que corre em seu leito tem como destino final o Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esse rio que banha o Maranh\u00e3o que suprir\u00e1 toda a \u00e1gua necess\u00e1ria ao projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>E suficiente para garantir uma mudan\u00e7a enorme no desenvolvimento no Nordeste, baseado na integra\u00e7\u00e3o de energia, alimento, log\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mensagem estrat\u00e9gica \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1gua organizada \u00e9 base de crescimento organizado. O Maranh\u00e3o pode liderar um novo ciclo de Desenvolvimento do Nordeste tendo um projeto com impacto econ\u00f4mico, social e institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 um piloto estadual com potencial nacional. Vamos discuti-lo, internamente e externamente, inclusive buscando a coopera\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses com experi\u00eancia no assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Fonte: Jornal O Pequeno | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 5 minutos<\/small> Jos\u00e9 Reinaldo Tavares | A Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco para o Semi\u00e1rido \u00e9 considerada a maior obra de engenharia h\u00eddrica do pa\u00eds, o maior benef\u00edcio feito ao Nordeste at\u00e9 hoje. E olha que tem mais de 70 obras sendo executadas visando ampliar os beneficios da transposi\u00e7\u00e3o. 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