{"id":9575,"date":"2026-10-26T14:49:08","date_gmt":"2026-10-26T17:49:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/?p=9575"},"modified":"2026-10-26T14:49:10","modified_gmt":"2026-10-26T17:49:10","slug":"corrida-da-ia-multiplica-investimentos-em-data-centers-no-mundo-e-abre-oportunidade-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/index.php\/2026\/10\/26\/corrida-da-ia-multiplica-investimentos-em-data-centers-no-mundo-e-abre-oportunidade-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Corrida da IA multiplica investimentos em data centers no mundo e abre oportunidade ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 7 minutos<\/small><\/p> \n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida digital depende de estruturas que quase nunca vemos. Em edif\u00edcios protegidos e conectados por vias de alta capacidade, milhares de servidores armazenam e processam dados que permitem o funcionamento de servi\u00e7os de nuvem, redes sociais, plataformas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e sistemas de intelig\u00eancia artificial (IA). S\u00e3o m\u00e1quinas que precisam funcionar sem interrup\u00e7\u00e3o, dia e noite. \u00c0 medida que empresas e governos transferem mais atividades para o ambiente digital e que a IA amplia a demanda por processamento, cresce a disputa para construir e operar esses centros de dados. A corrida exige grandes \u00e1reas, equipamentos avan\u00e7ados, sistemas potentes de refrigera\u00e7\u00e3o, conex\u00f5es de alta velocidade e energia abundante. Reunir essas condi\u00e7\u00f5es pode colocar o Brasil em posi\u00e7\u00e3o de destaque no mapa global da tecnologia e atrair ind\u00fastrias de ponta. Especialistas preveem uma acelera\u00e7\u00e3o dos projetos ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, em setembro, do programa de incentivos do governo federal batizado de ReData, que ainda precisa ser regulamentado pelo Executivo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os projetos em constru\u00e7\u00e3o d\u00e3o a medida do interesse pelo Brasil. Segundo recente relat\u00f3rio da consultoria JLL, s\u00e3o 24 unidades, com investimentos estimados em 90 bilh\u00f5es de reais, que se somar\u00e3o \u00e0s 218 j\u00e1 existentes no pa\u00eds. Em Sumar\u00e9, no interior paulista, a Ascenty, controlada pela americana Digital Realty e pela canadense Brookfield, ergue o primeiro de quatro empreendimentos previstos na regi\u00e3o, ao custo de 6 bilh\u00f5es de reais. Marcos Siqueira, vice-presidente executivo da Ascenty, afirma que 60% da capacidade dos novos centros ser\u00e1 destinada \u00e0 intelig\u00eancia artificial. \u201cA unidade de Sumar\u00e9 ser\u00e1 uma das mais avan\u00e7adas da Am\u00e9rica Latina\u201d, afirma. Segundo ele, a procura por capacidade aumentou desde o an\u00fancio do ReData. O programa procura reduzir uma desvantagem importante: antes dos incentivos, construir um data center no Brasil poderia custar quase 40% mais do que em outros pa\u00edses. Para diminuir essa diferen\u00e7a, o ReData suspende por cinco anos tributos federais sobre equipamentos, em troca de compromissos de sustentabilidade, da oferta de parte dos servi\u00e7os ao mercado nacional e de investimentos em pesquisa. \u201cO ReData coloca o Brasil em posi\u00e7\u00e3o muito privilegiada\u201d, entende Siqueira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"301\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-301x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9576\" srcset=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-301x1024.png 301w, https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-88x300.png 88w, https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-370x1259.png 370w, https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o dos grandes projetos, por\u00e9m, ainda n\u00e3o se traduz em uma distribui\u00e7\u00e3o equilibrada da infraestrutura. Dos 218 data centers do pa\u00eds, 83 est\u00e3o no estado de S\u00e3o Paulo, dos quais 79 se concentram na regi\u00e3o metropolitana da capital e em Campinas. Fora desses polos, faltam capacidade de processamento e conex\u00e3o. A dificuldade para obter financiamento \u00e9 um dos entraves. \u201cEmpresas grandes t\u00eam acesso a cr\u00e9dito, mas isso n\u00e3o acontece com as menores\u201d, diz Ricardo Brito, diretor-presidente da ag\u00eancia estadual de fomento Desenvolve SP. Para reduzir essa lacuna, a ag\u00eancia se uniu \u00e0 gestora M\u00f6bius Capital na cria\u00e7\u00e3o de um fundo de 70 milh\u00f5es de reais para financiar provedores e data centers de menor porte. Os recursos podem ser usados na compra de equipamentos, na expans\u00e3o das redes e no capital de giro. Ao aproximar o processamento das empresas locais, essas unidades reduzem o tempo de resposta das conex\u00f5es e a depend\u00eancia dos grandes polos. A M\u00f6bius pretende ampliar o fundo para 500 milh\u00f5es de reais no m\u00e9dio prazo e financiar at\u00e9 cinquenta centros em novas cidades. \u201cSe o provedor precisa buscar os dados em S\u00e3o Paulo ou Campinas, a conex\u00e3o demora mais para responder e o tr\u00e1fego custa caro\u201d, diz Roberto Savaris, fundador da M\u00f6bius Capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maior projeto anunciado no Brasil fica no Complexo do Pec\u00e9m, no Cear\u00e1. A primeira fase do data center da chinesa ByteDance, dona do TikTok, come\u00e7ou a ser constru\u00edda em janeiro de 2026, em parceria com a Omnia, do grupo Patria Investimentos, e a Casa dos Ventos, empresa de energia renov\u00e1vel. O in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 previsto para 2027, e o investimento total supera 200 bilh\u00f5es de reais. Desse montante, cerca de metade ser\u00e1 destinada a equipamentos at\u00e9 2035. A previs\u00e3o \u00e9 gerar mais de 4 000 empregos entre constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o. O Cear\u00e1 re\u00fane tr\u00eas vantagens competitivas: energia renov\u00e1vel abundante, conectividade e uma Zona de Processamento de Exporta\u00e7\u00e3o (ZPE) estruturada. O estado tem capacidade de gera\u00e7\u00e3o superior a 7 gigawatts para um consumo de apenas 1,5 gigawatt. Al\u00e9m disso, dezoito cabos submarinos passam por Fortaleza, a cerca de 40 quil\u00f4metros do complexo, e a ZPE oferece incentivos tribut\u00e1rios e aduaneiros \u00e0s empresas. \u201c\u00c9 um combo de vantagens extremamente raro de encontrar no mundo\u201d, afirma Max Quintino, presidente do Complexo do Pec\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-9577\" srcset=\"https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9.png 960w, https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-300x200.png 300w, https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-768x512.png 768w, https:\/\/www.abrazpe.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-369x246.png 369w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A onda que beneficia o Brasil faz parte da corrida global por tecnologia. Segundo o banco americano Goldman Sachs, os investimentos mundiais ligados \u00e0 intelig\u00eancia artificial devem superar 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2026. Na lideran\u00e7a dos aportes est\u00e3o os Estados Unidos, seguidos de perto pela China. Cinco gigantes puxam a expans\u00e3o americana: Alphabet (dona do Google), Amazon, Meta, Microsoft e Oracle. O Data Center Map lista 4 767 unidades em territ\u00f3rio americano, al\u00e9m de outras 400 em constru\u00e7\u00e3o e 1 200 planejadas. Stijn Van Nieuwerburgh, economista da Universidade Columbia, calcula que a infraestrutura de IA dos Estados Unidos \u2014 edif\u00edcios, redes, chips e sistemas de energia \u2014 exigir\u00e1 10 trilh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 2032, o equivalente a 3,6% do PIB ao ano. Trata-se de um marco hist\u00f3rico, pois supera em 50% o pico da constru\u00e7\u00e3o de ferrovias, em 1870-1890, e \u00e9 tr\u00eas vezes a m\u00e9dia da recente expans\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es e da internet. \u201c\u00c9 dif\u00edcil encontrar um par\u00e2metro para medir o tamanho desse movimento\u201d, diz Anirban Basu, da Associated Builders and Contractors, entidade que representa empresas da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em disputa acirrada com os Estados Unidos, a China preparou o terreno para multiplicar seus data centers. Em 2022, lan\u00e7ou um plano para transferir parte do processamento do leste industrializado para as prov\u00edncias do oeste, onde h\u00e1 terrenos abundantes e ampla oferta de energia renov\u00e1vel. A iniciativa definiu oito polos de computa\u00e7\u00e3o e dez grandes \u00e1reas para concentrar centros de dados. S\u00f3 em 2026, o pa\u00eds acrescentou \u00e0 rede quase 500 gigawatts de capacidade de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel, cerca de dez vezes a expans\u00e3o americana no per\u00edodo, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia. Para reduzir a depend\u00eancia dos dois pa\u00edses, a Uni\u00e3o Europeia anunciou um plano que prev\u00ea mobilizar 20 bilh\u00f5es de euros, apoiar at\u00e9 cinco grandes centros de computa\u00e7\u00e3o e triplicar a capacidade de data centers do bloco em at\u00e9 sete anos. J\u00e1 a \u00cdndia aposta em incentivos fiscais e cr\u00e9dito farto para quadruplicar a capacidade do setor nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bilh\u00f5es anunciados, contudo, n\u00e3o eliminam os obst\u00e1culos \u00e0 expans\u00e3o. Data centers dependem de energia, linhas de transmiss\u00e3o, \u00e1gua e profissionais especializados \u2014 e sua instala\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 bem recebida. Nos Estados Unidos, seis em cada dez americanos n\u00e3o querem essas unidades como vizinhas, segundo pesquisa do instituto americano Pew Research Center. Entre os principais temores est\u00e3o o consumo de recursos naturais, sobretudo \u00e1gua, e o aumento da conta de eletricidade. No Brasil, a abund\u00e2ncia de fontes renov\u00e1veis, ampliada pelos parques e\u00f3licos e solares, oferece uma vantagem, mas n\u00e3o resolve a dificuldade de levar energia at\u00e9 os empreendimentos. \u201cSe n\u00e3o tiver infraestrutura, n\u00e3o tem o resto\u201d, diz Marcos Peigo, da Scala, um dos principais grupos em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. O mundo digital ser\u00e1 constru\u00eddo a partir de data centers. O Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de estar na linha de frente, desde que transforme suas vantagens naturais em capacidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Fonte: Veja | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 7 minutos<\/small> A vida digital depende de estruturas que quase nunca vemos. Em edif\u00edcios protegidos e conectados por vias de alta capacidade, milhares de servidores armazenam e processam dados que permitem o funcionamento de servi\u00e7os de nuvem, redes sociais, plataformas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e sistemas de intelig\u00eancia artificial (IA). 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