Exportações do ES já sentem efeitos da sazonalidade e da reforma

Exportações do ES já sentem efeitos da sazonalidade e da reforma

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Janeiro tradicionalmente marca um período de desaceleração nas exportações do Espírito Santo. A virada do ano concentra fatores recorrentes, como menor disponibilidade de produtos, encerramento de contratos do ciclo anterior e férias coletivas em parte do setor produtivo, o que reduz temporariamente o ritmo das operações portuárias e logísticas.

As importações também sentem esse movimento, já que muitas empresas aproveitam o início do exercício fiscal para reorganizar estoques e planejamento financeiro. De acordo com o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, trata-se de um comportamento esperado e já observado em séries históricas recentes.

Segundo ele, a desaceleração no início do ano reflete um efeito sazonal natural, associado à renovação de contratos e à reorganização da cadeia produtiva, sem comprometer a tendência de crescimento do comércio exterior capixaba ao longo do ano. Nos últimos exercícios, lembra o economista, a balança comercial do Estado vem ampliando sua dinâmica tanto nas exportações quanto nas importações, o que permite recuperar, nos meses seguintes, a perda momentânea registrada em janeiro.

Esse cenário, no entanto, passa a ser observado em 2025 sob uma nova variável estrutural: a reforma tributária. A entrada em vigor das novas regras, especialmente o Artigo 82, impõe critérios mais rígidos para a manutenção de benefícios fiscais por parte de comerciais exportadoras e tradings.

Exigências como certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA) e patrimônio líquido mínimo tendem a afetar com maior intensidade pequenas e médias empresas, perfil predominante entre os exportadores capixabas.

Na avaliação de Lira, a reforma traz desafios adicionais ao Espírito Santo, sobretudo pelo aumento da incidência tributária no destino das mercadorias e pela redução gradual de incentivos fiscais, historicamente relevantes para a competitividade estadual. Para mitigar esses impactos, ele destaca a necessidade de fortalecer atividades capazes de gerar valor agregado, como logística, comércio exterior e turismo, além de acelerar investimentos estruturantes.

Nesse contexto, projetos estratégicos em curso ganham papel central. A ampliação da infraestrutura portuária, com iniciativas como o Porto Central, o Porto da Imetame, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Aracruz e novos parques logísticos, além da futura Ferrovia 118, tende a elevar a eficiência do sistema e compensar parte das perdas associadas às mudanças tributárias.

A consolidação do Espírito Santo como plataforma logística nacional e internacional aparece, assim, como um dos principais vetores para sustentar a competitividade do comércio exterior capixaba em um ambiente de menor estímulo fiscal e maior exigência regulatória.

Fonte: ES Brasil | Foto: Divulgação

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