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O presidente da Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará), Fábio Feijó, afirmou que o data center que está sendo instalado na área do Complexo do Pecém será unicamente focado na exportação de serviços, conforme a legislação vigente.
“Isso serve para o serviço de treinamento e processamento de Inteligência Artificial para o Tik Tok. Na verdade, é para servir de soluções tecnológicas e desenvolvimento e treinamento para a empresa como um todo nas suas diversas aplicações no mundo”, esclarece Fábio.
O presidente da ZPE Ceará explicou que para a instalação do equipamento no Ceará, foi necessário, no final do ano passado, modificar a legislação federal do setor de ZPE, no aspecto de permitir a implementação do projeto.
“Porque data center não exporta nada, ele é o prédio que aluga seu espaço para alguém, então isso não é exportação, é prestação de serviço interno. Quem exporta é o cliente do data center. Tivemos que ajustar a legislação, e houve o trabalho do governador Elmano, o ministro Camilo, junto com o presidente Lula para modificar a lei de ZPE, através de uma Medida Provisória”, explicou Fábio Feijó.
Segundo o presidente da ZPE Ceará, está prevista para a próxima semana uma visita ao Ceará, de Hong Dingkung, vice-presidente da ByteDance, empresa chinesa acionista das tramitações logísticas de gestão do empreendimento tecnológico do Pecém. No aspecto da operação da infraestrutura, a corporação responsável é a OMNIA, que desembolsou cerca de R$ 10 a 12 bilhões para o projeto.
Os recursos anunciados em geral englobam investimentos de R$ 200 bilhões. Atualmente, as obras se encontram em fase de terraplanagem. Na primeira etapa de construção do data center, a previsão é criar cerca de quatro mil empregos diretos. A partir de 2034, a expectativa é na geração de 1.600 postos de trabalhos qualificados. O início do primeiro circuito operacional se projeta para o próximo ano.
As pontuações referentes aos posicionamentos do presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, foram realizadas na sede da Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do Ceará (FACIC), na última quarta-feira (18). Na ocasião, o presidente da FACIC, Cid Alves, disse que a explanação do Fábio foi esclarecedora no aspecto de informar os bastidores que envolvem as deliberações do data center.
“A gente não tinha ideia, eu sabia de um grande empreendimento, a gente via falar do montante de R$ 200 bilhões, mas a gente não tinha ideia do porquê, da motivação e de todos os bastidores. Então a gente observa um momento novo na economia do Ceará, com todo o aparato, em tudo que existia antes, com tudo que existe de preparação para que esses data centers e todo o setor de TI se instalem no estado com suporte, começando e ficando por muito tempo”, frisa Cid Alves.
Cabo submarino e data center
A base estrutural para atrair os data centers para o Ceará é a aquisição dos cabos submarinos em virtude da agregação marítima digital proporcionada. E na conjuntura, os cabos oferecem menor latência para prover rapidez e conectividade global.
“Nós temos aqui o segundo melhor hub de cabos submarinos do mundo. Uma faixa na Praia do Futuro de 5 km, passando 18 cabos submarinos, sendo 16 em funcionamento, perdemos para Tóquio e Cingapura, que é onde tem a maior concentração de cabos numa única faixa por região. E o que isso faz? Faz com que o Ceará seja um dos locais do mundo com menor latência. E o que é latência? É o tempo que você clica no seu celular, ou no computador, e surge algo na tela, quanto menor esse tempo, menor a latência”, reforça o presidente da ZPE.
De acordo com Fábio Feijó, no mandato do governador Cid Gomes, ele implementou a política pública denominada de Cinturão Digital que consiste em integrar praticamente os 184 municípios em fibra óptica. “Tudo é fibrado, a gente é mais fibrado do que São Paulo, isso é investimento público, que foi complementado depois por empresas e provedores”, realça o presidente da ZPE Ceará.
Fonte/Foto: Trends CE
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