No Panamá, presidente da ABRAZPE defende nova geração de zonas francas

No Panamá, presidente da ABRAZPE defende nova geração de zonas francas

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O presidente da ABRAZPE (Associação Brasileira das Zonas de Processamento de Exportação), Helson Braga, defendeu a transformação das zonas francas em plataformas estratégicas para inovação, industrialização e integração econômica durante palestra realizada no 12º Congresso Mundial da World Free Zones Organization, no Panamá.

Braga participou do painel “Pioneering Next-Gen Operations for Shared Prosperity”, voltado à cooperação econômica entre países do BRICS+ e às mudanças no comércio global diante das novas disputas geopolíticas e tecnológicas.

Durante a apresentação, o dirigente brasileiro afirmou que o mundo vive uma das maiores transformações econômicas desde o fim da Guerra Fria, marcada pela consolidação de uma ordem multipolar, pela regionalização das cadeias produtivas e pela busca de maior resiliência industrial. Segundo ele, as zonas econômicas especiais deixam de ser apenas instrumentos de incentivo fiscal e passam a ocupar papel central nas estratégias nacionais de desenvolvimento.

“O desafio não é apenas modernizar as zonas francas. O desafio é redefinir sua missão dentro da nova arquitetura da economia global”, afirmou Helson Braga durante a palestra.

O presidente da ABRAZPE destacou ainda que as novas zonas econômicas precisam incorporar inteligência artificial, digitalização, logística inteligente, sustentabilidade ambiental e governança tecnológica para se manterem competitivas no cenário internacional. Entre os pontos citados estão sistemas de energia renovável, economia circular, logística de baixo carbono e integração digital de operações.

Ao abordar o caso brasileiro, Braga afirmou que a modernização recente das ZPEs ampliou o potencial do país na atração de investimentos e no fortalecimento industrial. Ele citou setores como hidrogênio verde, data centers, agronegócio avançado, energia renovável e processamento mineral como áreas em expansão dentro das zonas de processamento de exportação brasileiras.

O painel reuniu representantes de governos, investidores e lideranças internacionais ligadas às zonas francas e ao comércio exterior, com foco na construção de mecanismos multilaterais de cooperação econômica entre países emergentes.

Helson Braga defende ZPEs como eixo do Mercosul

O presidente da ABRAZPE, Helson Braga, afirmou que o Brasil vive uma nova fase de expansão e modernização das ZPEs durantea palestra “Brasil y el nuevo papel de las ZPE en el MERCOSUR”. Braga destacou que o país começou a compreender de forma mais ampla o papel estratégico das zonas de processamento de exportação na integração econômica regional e na atração de investimentos internacionais.

Segundo ele, o modelo brasileiro permaneceu limitado durante décadas devido ao perfil historicamente protecionista da economia nacional e ao excesso de burocracia regulatória. Atualmente, porém, o cenário começa a mudar com avanços legislativos, ampliação de projetos privados e modernização do marco regulatório das ZPEs.

Braga ressaltou que uma das mudanças mais importantes ocorreu em 2021, quando o Brasil passou a permitir a inclusão do setor de serviços dentro das ZPEs. A partir disso, estruturas voltadas a data centers, plataformas digitais, tecnologia, processamento de dados e economia digital passaram a ganhar espaço dentro do modelo brasileiro.

“As ZPE deixaram de ser vistas apenas como plataformas industriais e passaram a se posicionar também como polos de inovação, infraestrutura digital e serviços globais”, afirmou o presidente da ABRAZPE.

Durante a palestra, Helson Braga também defendeu maior harmonização regulatória entre os países do Mercosul, além de regras mais rígidas de certificação de origem e integração logística regional. Para ele, o bloco precisa ser tratado como um “mercado doméstico ampliado”, capaz de fortalecer cadeias produtivas regionais diante das novas transformações do comércio internacional.

O dirigente citou ainda o potencial estratégico dos corredores bioceânicos e das ZPEs localizadas em áreas de fronteira, que podem funcionar como polos de integração continental e facilitar o acesso sul-americano aos mercados asiáticos.

Na avaliação da entidade, setores ligados à transição energética, hidrogênio verde, agronegócio avançado, processamento mineral e economia digital devem liderar a nova etapa de crescimento das zonas de processamento brasileiras.

Economia global

O Panamá sedia entre os dias 12 e 14 de maio de 2026 o 12º Congresso Mundial da World Free Zones Organization (World FZO), evento que reúne autoridades, empresários e especialistas para discutir o futuro das zonas francas e do comércio internacional.

Com o tema “Free Zones in the New Global Operating Model: Challenges and Opportunities”, o encontro tem debates sobre transformação digital, inteligência artificial, sustentabilidade, logística global e novos modelos econômicos em meio às mudanças geopolíticas e comerciais no mundo.

A programação traz painéis ministeriais, reuniões internacionais e fóruns voltados à integração econômica, além de discussões sobre transição verde, cadeias produtivas regionais e modernização da infraestrutura industrial. O congresso também aborda o papel das zonas francas como instrumentos para atração de investimentos e inovação tecnológica.

Entre os participantes estão o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, além de representantes da ONU, Banco Interamericano de Desenvolvimento, CAF e autoridades de diversos países.

O evento é realizado na Cidade do Panamá e conta ainda com visitas técnicas ao Canal do Panamá e à Zona Franca de Colón, considerada uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

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