ZPE Maranhão conhece portos e centros industriais chineses

ZPE Maranhão conhece portos e centros industriais chineses

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A ZPE Maranhão, empresa do Governo do Maranhão que administra a Zona de Processamento de Exportação de Bacabeira, foi a Shenzhen, no sul da China, conhecer de perto a cidade onde nasceu o modelo que inspirou as zonas de processamento de exportação em todo o Brasil. A delegação, chefiada pela presidente da ZPE Maranhão, Rakel Murad, visitou o porto inteligente de Mawan para conhecer as boas práticas e os procedimentos de quem opera e administra essas zonas há décadas e para conversar, e agregar informações com os investidores.
   
A delegação da ZPE Maranhão: Além da presidente Rakel Murad, integram fizeram parte também a chefe de gabinete Liana Baker; a engenheira ambiental Larissa Sabadini e a engenheira civil Roniele Aquino. Na foto da capa, as integrantes da delegação da ZPE Maranhão com anfitriões chineses, tendo o terminal de contêineres ao fundo.

A comunidade industrial de Shenzhen foi uma das primeiras zonas econômicas especiais criadas pela China, em 1980: áreas com incentivos fiscais para quem quisesse industrializar, processar e exportar. O presidente do Brasil, na época o maranhense José Sarney, conheceu o modelo ainda nos anos 1980 e o trouxe para o nosso país, que criou suas zonas de processamento de exportação em 1988. “Estamos aqui na China, no Porto de Shenzhen, onde nasceu a inspiração para todos os modelos de ZPEs do Brasil. Viemos para aprender com quem já opera esse modelo de sucesso há décadas”, disse a presidente da ZPE Maranhão Rakel Murad.

Na mesma missão, a comitiva maranhense percorreu a Feira de Importação e Exportação da China, a Canton Fair, em Guangzhou, reuniu-se com uma plataforma oficial chinesa de apoio ao investimento no exterior e visitou portos, zonas francas e fábricas na província de Guangdong. Segundo a programação da missão, Mawan foi o primeiro porto inteligente da Grande Baía, região que reúne a província de Guangdong, Hong Kong e Macau, a operar com rede 5G e baixa emissão de carbono. O terminal usa sistema próprio de controle e combina caminhões autônomos com caminhões dirigidos por motoristas. A delegação conheceu também a sala de controle, onde operadores comandam os equipamentos do pátio a distância, em cabines com telas e joysticks, e acompanhou do alto a movimentação de contêineres.

Rakel Murad lembra que a Shenzhen de hoje reúne tecnologia, inteligência artificial, carros elétricos e energia renovável. “É esse tipo de indústria que queremos atrair para o Brasil e em especial para o nosso Estado: empresas que agregam valor e exportam com energia limpa. E o Maranhão tem muito a oferecer: riquezas naturais, matérias-primas que podem ser processadas no próprio estado e uma localização estratégica para o mundo”, afirmou. “Viemos aprender, e temos muito a aprender. Mas acreditamos que essa parceria pode ser uma via de mão dupla: a experiência da China e o potencial do Maranhão, construindo juntos novas oportunidades”, disse a presidente.

Fabricante de alumínio procura local para fábrica na América Latina – Em Foshan, cidade vizinha a Guangzhou, a delegação visitou uma fabricante de perfis de alumínio para construção civil, indústria, portas e janelas, que produz mais de 600 mil toneladas por ano. Segundo os organizadores da missão, a empresa procura local para instalar uma fábrica no Brasil ou em outro país da América Latina. A comitiva percorreu o showroom, que mostra a cadeia do alumínio da bauxita ao perfil extrudado, a linha de produção e o estoque. No mapa da rede de clientes da fabricante, a América do Sul já aparece com cidades atendidas, entre elas São Paulo. “É esse tipo de perfil de investimento que a nossa ZPE procura: indústria que produza no Brasil e exporte a partir do Maranhão”, explicou Rakel Murad.

Maranhão reúne energia limpa, porto e localização, diz presidente – Na Canton Fair, que reúne fabricantes chineses e compradores estrangeiros, a delegação conversou com expositores de caminhões e outros veículos, motocicletas elétricas, perfis de alumínio e sistemas de energia renovável e armazenamento. A ZPE se apresentou como porta de entrada para a América Latina a empresas que queiram produzir no Brasil e exportar a partir do Maranhão.

Entre os atrativos apresentados estão a localização, o acesso ao complexo portuário de São Luís, formado pelos portos do Itaqui, Vale e Alumar, e do regime especial de exportação e a oferta de energia renovável. A energia aproxima o Maranhão do powershoring, termo usado para a decisão de levar fábricas para onde há energia limpa e competitiva. Rakel Murad explicou o conceito em um dos pavilhões da feira. “O mundo vive um momento de reorganização das cadeias produtivas. Vem crescendo um conceito chamado powershoring, que nada mais é do que levar a produção para onde há energia limpa, abundante, renovável, num local estratégico para alcançar o mercado global. O Maranhão possui e reúne todas essas oportunidades”.

Plataforma oficial chinesa recebe apresentação de Bacabeira –  Em Nansha, distrito de Guangzhou, a ZPE apresentou a área de Bacabeira ao “Going Global” Comprehensive Service Center for Chinese Enterprise. A plataforma funciona sob orientação da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão de planejamento econômico do governo chinês, e é mantida pela província de Guangdong, pela cidade de Guangzhou e pelo distrito de Nansha. O centro acompanha empresas chinesas em todas as etapas de um investimento no exterior, do estudo inicial à operação. Na reunião, a delegação mostrou a localização da ZPE, o acesso ao complexo portuário e a oferta de energia do Maranhão.

Delegação conhece porto automatizado e zona franca – Também em Nansha, a comitiva visitou o terminal automatizado do porto local, que movimentou 25,4 milhões de TEUs em 2023, segundo a programação da missão. O TEU é a medida-padrão de um contêiner de 20 pés. O terminal opera com guindastes e veículos guiados automaticamente e liga transporte fluvial, marítimo e ferroviário. Na Zona Franca Integrada de Nansha, a 15 minutos dos berços do porto, a delegação conheceu um centro de distribuição de comércio eletrônico internacional com 110 mil m² e armazém alfandegado, de onde saem pedidos para compradores de vários países. A combinação de indústria, regime aduaneiro especial e porto é a mesma que a ZPE oferece em Bacabeira, perto do complexo portuário de São Luís. Em Zhongshan, outra cidade de Guangdong, integrantes da delegação visitaram uma fabricante de louças sanitárias e acessórios para banheiro e cozinha fundada em 1992. A empresa tem parque fabril de 200 mil m² e fornece para mais de 150 marcas em mais de 50 países.

ZPE já recebeu 12 projetos industriais – A missão procura novos investidores para uma zona que já tem carteira. A ZPE recebeu até agora 12 projetos industriais: quatro aprovados pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), colegiado federal que autoriza os projetos instalados nas ZPEs, um à espera de decisão em Brasília e sete em análise técnica na própria ZPE de Bacabeira.

Três dos projetos aprovados passaram pelo CZPE em agosto de 2026 e somam investimento previsto de R$ 23,2 bilhões:

  • siderurgia verde, para produzir ferro-esponja (HBI) com energia renovável: R$ 18,5 bilhões;
  • biorrefinaria de bambu, para etanol de segunda geração e bioprodutos: R$ 2,7 bilhões;
  • hidrogênio verde e e-metanol para exportação: R$ 2 bilhões.

Segundo parecer do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os três projetos preveem cerca de 10 mil empregos diretos nas obras e cerca de 550 na operação. Dois deles, a siderurgia verde e o hidrogênio verde, dependem de energia renovável, um dos atrativos que justificou a viagem de representantes da ZPE maranhense até a China. Os investimentos são das empresas. A ZPE de Bacabeira foi obtida pelo Governo do Maranhão e criada pelo Decreto Federal nº 12.131, de 2024. Nela, as indústrias compram máquinas e insumos com suspensão de tributos e operam em regime cambial e administrativo especial.

Próxima parada tem linha regular para portos brasileiros – Em Shenzhen, a programação inclui ainda o Porto de Yantian, de onde parte uma linha regular para a costa leste da América do Sul, com escalas em portos brasileiros de grandes movimentações como os do Rio Grande, Paranaguá, Itajaí, Santos e Rio de Janeiro, e uma fabricante de robôs humanoides. As conversas abertas na China são a primeira etapa para atrair novos projetos. Uma empresa que decida produzir em Bacabeira apresenta o projeto à ZPE, que faz a análise técnica e o encaminha ao CZPE, em Brasília. Foi esse o caminho dos quatro projetos já aprovados.

Texto e fotos: ZPE de Bacabeira/Maranhão

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