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A primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) da Região Norte do Brasil começa a avançar na estruturação de seu complexo industrial em Barcarena, na Grande Belém. Além de já contar com a Bravo Metals como empresa âncora, o Governo do Pará mantém articulações com companhias interessadas em ocupar a área, que terá 175,81 hectares e previsão de 82 lotes industriais. Paralelamente à prospecção de novos negócios, o projeto se prepara para avançar no processo de licenciamento ambiental. Entre os segmentos que já despertaram interesse estão os de alimentos e combustíveis de aviação.
A Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), responsável pela condução da iniciativa, também mantém interlocução com empresas ligadas à bioeconomia e à transição energética, em busca de oportunidades de instalação de novas unidades industriais. A presença da Bravo Metals representa o primeiro empreendimento industrial confirmado para a ZPE. Em setembro, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) autorizou oficialmente a instalação do projeto da subsidiária da Bravo Mining.
A unidade industrial prevê a fabricação de mates de níquel, cobre e cobalto, além de metais do grupo da platina, como paládio, platina e ródio, e ouro. As obras do empreendimento estão previstas para 2028. Empresas avaliam oportunidades na ZPE Uma das articulações em andamento envolve a Track Gains Soluções Sustentáveis. A empresa mantém conversas com o governo estadual sobre uma proposta agroindustrial baseada no cultivo e processamento da macaúba, palmeira com potencial para produção de óleos e matérias-primas energéticas.
Em reunião realizada em outubro, representantes da Codec apresentaram à companhia as características da ZPE, incluindo o mapa da área, os acessos rodoviários, a proximidade com o Complexo Portuário de Vila do Conde e as condições a serem consideradas na instalação de unidades industriais.

A proposta inicial discutida pela Track Gains contempla o esmagamento dos frutos da macaúba e a extração de óleo bruto para exportação, com perspectivas de comercialização nos mercados europeu e asiático. O refino e a produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) foram abordados como possibilidades para uma etapa posterior, ainda dependentes de estudos de viabilidade.
A empresa também relatou consultas de um grupo internacional interessado em avaliar oportunidades nos setores de motocicletas elétricas, sistemas de armazenamento de energia em baterias, carregadores veiculares e fertilizantes. Nem todas essas atividades, entretanto, têm a ZPE como destino necessário.
Para projetos voltados ao mercado brasileiro, a Codec também apresentou o Distrito Industrial de Barcarena como alternativa, considerando as características de cada empreendimento e as regras aplicáveis aos diferentes espaços.
A movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla de atração de investimentos. A intenção é reunir empresas de diferentes segmentos, ampliar as atividades industriais e criar oportunidades de integração entre cadeias produtivas.
Licenciamento ambiental entra na agenda
Enquanto articula a chegada de novos empreendimentos, a ZPE de Barcarena também avança na preparação dos estudos ambientais necessários à implantação.
A Codec contratou a consultoria Arcadis para elaborar o Relatório de Controle Ambiental (RCA) e o Plano de Controle Ambiental (PCA), documentos que subsidiarão o processo de licenciamento ambiental. Os trabalhos terão acompanhamento da Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Barcarena (Cazbar) e da Prefeitura de Barcarena. A área planejada está inserida no Distrito Industrial de Barcarena, próxima ao Complexo Portuário de Vila do Conde.
O acesso terrestre ocorre por corredores como a Alça Viária e as rodovias PA-151 e PA-483, que conectam o município a outras regiões do Pará e facilitam o transporte de matérias-primas e produtos destinados à exportação. O planejamento apresentado pela diretoria técnica da Codec contempla 175,81 hectares, distribuídos em 82 lotes.
A estrutura foi concebida para receber empreendimentos industriais de diferentes portes e segmentos, conforme as condições de instalação e as exigências do regime de ZPE.
Regime diferenciado para empresas exportadoras
As Zonas de Processamento de Exportação são áreas industriais destinadas à instalação de empresas predominantemente exportadoras. Os empreendimentos habilitados podem acessar um regime específico de tratamento tributário, cambial e administrativo, conforme as normas que regulamentam o modelo.
A proposta é reduzir custos e entraves operacionais, ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, estimular investimentos produtivos e contribuir para a difusão tecnológica e a redução dos desequilíbrios regionais.
Em Barcarena, a proximidade com o complexo portuário é um dos principais atrativos para empresas que dependem de operações de comércio exterior. A combinação entre área industrial, acesso rodoviário e infraestrutura de embarque pode favorecer o recebimento de insumos e o escoamento da produção.
Articulação também envolve bioeconomia
A relação entre a Codec e a Track Gains foi ampliada por meio de um protocolo de intenções assinado em 18 de setembro. O documento prevê cooperação para levantamentos técnicos e socioeconômicos destinados a subsidiar estudos de um Programa Integrado de Bioeconomia e Descarbonização no Pará.
A proposta considera uma cadeia agroindustrial baseada na macaúba, além da avaliação de outras matérias-primas com potencial energético e da recuperação produtiva de áreas degradadas. Paragominas, Baixo Tocantins e Barcarena estão entre as regiões consideradas inicialmente para os levantamentos.
A cooperação prevê articulação com municípios, órgãos públicos, entidades do setor produtivo e instituições de ensino e pesquisa. Também contempla a valorização da mão de obra local e a participação de fornecedores paraenses.
Fonte: Portal Barcarena | Foto: Reprodução
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