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A Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) defendeu a aprovação imediata do regime fiscal especial Redata, voltado à atração de data centers voltados à inteligência artificial no Brasil. Segundo Renan Lima Alves, presidente da ABDC e CEO da Boost Engenharia, o anúncio antecipado do programa pelo governo federal, em maio, criou uma expectativa concreta entre investidores internacionais. No entanto, o atraso no envio da Medida Provisória que instituirá o regime pode levar à perda de projetos estratégicos para outros países da América Latina.
“O ReData foi anunciado há quase três meses e ainda não foi formalizado. Isso gera frustração e incerteza. Os investidores estão esperando por esse incentivo para assinar os cheques. Sem ele, muitos projetos não virão”, afirmou Alves em entrevista ao videocast do Tele.Síntese.
ReData: foco em IA e exportação de dados
O ReData prevê isenção do Imposto de Importação sobre equipamentos voltados a data centers de IA, especialmente GPUs e hardwares sem similar nacional. O objetivo é viabilizar grandes centros de treinamento de modelos de IA, com alto consumo computacional e voltados tanto ao mercado doméstico quanto à exportação de dados. Segundo Renan, o regime proposto terá validade inicial de cinco anos.
“A proposta do ReData não busca ser eterna, como uma ZPE. Ela cria uma janela de oportunidades para destravar investimentos imediatos”, explicou. Para ele, o incentivo é fundamental porque o Brasil disputa com Chile, México, Uruguai e outros países que já oferecem isenções tributárias e ambiente regulatório mais estável.
Regulação da IA e risco à atratividade
Outro ponto de atenção é o Projeto de Lei da Inteligência Artificial (PL 2338), que pode influenciar diretamente a decisão de instalação de novos empreendimentos. “A regulação excessiva pode inibir investimentos. A IA não tem ‘destreinamento’. Se perdermos o timing, o Brasil ficará fora dessa revolução”, afirmou Renan.
Segundo ele, a ABDC acompanha de perto as discussões no Congresso Nacional e atua em conjunto com entidades como CNI, ABES e Brascom para garantir que a regulamentação seja equilibrada. “Se o arcabouço legal for visto como impeditivo, mesmo com energia abundante, boa conectividade e infraestrutura de TI, os projetos irão para outros países”, alertou.
Redata e ZPEs não são equivalentes
Embora o governo tenha articulado a possibilidade de instalação de data centers em Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), a ABDC vê esse modelo como complementar. Isso porque as ZPEs exigem que 100% dos serviços prestados sejam destinados à exportação e proíbem a atuação simultânea em outros pontos do território nacional.
“As ZPEs têm aplicação restrita. Já o Redata é um regime nacional, mais democrático, que atende desde indústrias locais de mídia e gaming até grandes projetos de IA para o mercado global”, explicou o executivo.
Hoje, o Brasil possui cerca de 160 a 180 data centers comerciais — que prestam serviço a terceiros — com potência instalada estimada em aproximadamente 800 megawatts. Ainda não há no país grandes centros de IA dedicados exclusivamente a treinamento, apenas estruturas de menor porte voltadas a pesquisa.
Fonte: Tele.Síntese | Foto: Divulgação
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