Tempo de leitura: 4 minutos
O segundo mega data center do Ceará deve ser anunciado em breve na região do Porto do Pecém, com investimento de R$ 350 bilhões.
Uma fonte familiarizada com o assunto, sob anonimato, afirmou à reportagem que a empresa envolvida no novo projeto é a Tecto Data Centers. A empresa, contudo, não confirma.
Formalmente, os detalhes são guardados por cláusulas de confidencialidade entre as partes. A expectativa é de que o anúncio da construção aconteça nas próximas semanas. As obras devem ser iniciadas entre o final de 2026 e o começo de 2027.
De acordo com informações obtidas pelo Diário do Nordeste junto a fontes envolvidas na negociação, trata-se de um empreendimento de hiperescala, assim como o centro de dados da ByteDance, dona do TikTok, que está em construção.
No total, 15 mil empregos na fase de obra devem ser gerados, e outros 400 durante a operação do data center.
Para efeitos comparativos, o investimento no novo data center da Tecto no Ceará supera em mais de 50% o valor nominal do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, de R$ 232,2 bilhões em 2023, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Tecto tem três data centers em Fortaleza
A Tecto é o braço de data centers da V.tal, reconhecida por atuar com rede neutra de fibra óptica, ampliando a conectividade nacional e internacional, em especial no Hub Tecnológico de Dados, com os cabos submarinos ancorados na Praia do Futuro.
Ao lado de Barranquilla, na Colômbia, Fortaleza é a cidade com mais data centers da Tecto, três no total. Eles são nomeados de Lobster (TFOR1), Big Lobster (TFOR2) e Mega Lobster (TFOR3) — maior centro de processamento de dados do Nordeste.
Em entrevista ao Diário do Nordeste em março deste ano, o diretor de receita da Tecto, Tito Costa, anunciou que a empresa antecipou a expansão do Mega Lobster e estudava a criação de um quarto data center no Estado.
A região do Pecém já era analisada pela empresa à época da abertura do Mega Lobster com a possibilidade do desenvolvimento de um hub de data center na ZPE.
ZPE do Pecém deve receber equipamento
Uma área na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), será responsável por abrigar o futuro data center.
O empreendimento ficará perto do centro de dados da ByteDance, cuja previsão de início das operações está fixada para o terceiro trimestre de 2027.
Ainda de acordo com informações obtidas pela reportagem, estão previstos outros cinco data centers de hiperescala para a região da ZPE do Pecém. Desse total, três têm pré-contrato assinado.
A reportagem procurou a ZPE Ceará em busca de informações para confirmar os investimentos da Tecto no espaço da empresa.
O órgão declarou que “devido aos acordos de confidencialidade e sigilo industrial envolvidos, não vai se pronunciar, ao menos neste momento, acerca do tema”.
O Diário do Nordeste também perguntou à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) se ela acompanha os projetos de data centers no Estado e tem um detalhamento sobre eles, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. Em caso de retorno, este texto será atualizado.
Investimentos em data center no Pecém se aproximam de R$ 1 trilhão
A ByteDance foi a primeira a investir em data centers na região da ZPE, com cifras que giram em torno de R$ 570 bilhões. Já a Tecto deve investir R$ 350 bilhões.
Somados, os dois investimentos em data centers de hiperescala no Pecém são de aproximadamente R$ 920 bilhões, quase três vezes maior do que o PIB do Ceará.
Para o especialista em telecomunicações e presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, o data center da Tecto no Pecém consolida o Ceará como “polo de data centers” e desenvolve a infraestrutura iniciada com os cabos submarinos.

“Isso abre oportunidades de emprego no ecossistema que se forma ao redor dos data centers, contribuindo para o desenvolvimento do Estado. Outros estados do Nordeste estão tentando atrair os equipamentos, mas o fato de Fortaleza ser um hub de cabos submarinos acaba sendo mais atrativo para os investidores”, explica.
Tude acrescenta ainda que a tendência é de que “outras grandes empresas de tecnologia venham também para o Estado”. Segundo ele, a situação é benéfica e equipara o Ceará a São Paulo, reconhecido como o maior polo de data centers do Brasil.
Fonte: Diário do Nordeste | Foto: Reprodução
Os comentários foram encerrados, mas trackbacks e pingbacks estão abertos.