Omnia: Redata auxilia na captação de clientes globais

Omnia: Redata auxilia na captação de clientes globais

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Aprovado na última semana após várias temporadas de negociação, o Regime de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) chega em momento crucial para o setor e também para a economia do Ceará. O Estado negocia investimentos bilionários e a Omnia Data Centers, o principal investidor deste mercado em terras cearenses, aponta a legislação como um mecanismo que amplia a competitividade e ajuda na captação de clientes globais.

Em entrevista exclusiva para esta coluna, o CEO Rodrigo Abreu, comenta que “texto aprovado cria uma estrutura importante para reduzir o custo de implantação dos data centers e, principalmente, sinaliza que o Brasil quer disputar uma parcela maior dos investimentos globais em infraestrutura digital”.

Responsável pelo projeto que ficou conhecido como o data center do TikTok, a ser instalado na Zona de Processamento de Exportação do Ceará, o executivo diz que “a aprovação representa um avanço importante em termos de previsibilidade para o ambiente de investimentos no Brasil de maneira geral e, consequentemente, para qualquer projeto de infraestrutura digital, incluindo o nosso no Ceará”.

Rodrigo Abreu comenta ainda sobre os destaques debatidos no Congresso, o que foi importante passar e o que ainda deve ser objeto de conversa entre os agentes do setor. “Cumpre lembrar que ainda será necessário um grande esforço de regulamentação e detalhamento de boa parte dos dispositivos previstos na lei, incluindo aqueles relativos aos requisitos ambientais, que para nós são fundamentais para aproveitar a característica de sustentabilidade que deve estar associada aos novos projetos no setor”, acrescenta. Confira a entrevista completa com Rodrigo Abreu:

Qual a análise geral do texto aprovado? Satisfez o que foi aprovado e no tempo que foi?

Sem dúvida, independentemente do prazo bastante mais longo do que o planejado quando da concepção do programa, a avaliação de sua aprovação é positiva. O Brasil precisava de um marco que desse mais previsibilidade para um setor que exige investimentos muito relevantes, de longo prazo e com forte competição internacional. O texto aprovado cria uma estrutura importante para reduzir o custo de implantação dos data centers e, principalmente, sinaliza que o Brasil quer disputar uma parcela maior dos investimentos globais em infraestrutura digital.

Não se trata de simplesmente trazer isenções, mas sim de melhorar a competitividade do país para investimentos expressivos no setor mediante a nossa altíssima carga tributária. Vale reconhecer também o esforço do Congresso, das associações que representam o setor e a mobilização conjunta das próprias empresas para levar essa pauta adiante, depois de um período de incerteza provocado pela perda de validade da medida provisória que tratava do tema. O texto chega em um momento em que a demanda por capacidade de processamento, impulsionada pelo contínuo crescimento da inteligência artificial e também pelo avanço da penetração das aplicações em nuvem, segue crescendo rapidamente.

Vi que foram propostas 39 emendas, das quais muitas ficaram de fora. Das que passaram, quais a Omnia acredita que foram mais acertadas?

Qualquer projeto de lei naturalmente recebe uma série de emendas, e com o Redata não foi diferente, mas sem olhar individualmente para cada uma delas, o que considero acertado foi o esforço de preservar o foco do Redata no seu objetivo principal: tornar o Brasil mais competitivo para receber investimentos em infraestrutura digital.

ntre os ajustes aprovados, destacaria a preservação do acesso ao regime para empresas já habilitadas no Repes. Cumpre lembrar que ainda será necessário um grande esforço de regulamentação e detalhamento de boa parte dos dispositivos previstos na lei, incluindo aqueles relativos aos requisitos ambientais, que para nós são fundamentais para aproveitar a característica de sustentabilidade que deve estar associada aos novos projetos no setor. Para nós, sustentabilidade não é uma contrapartida criada por lei, é parte da própria viabilidade de um data center moderno. O que importa é que as exigências sejam claras, mensuráveis e compatíveis com a realidade tecnológica e energética de cada projeto.

E das que ficaram de fora, quais fazem diferença para o setor? E por quê?

Algumas discussões ainda não foram completamente abordadas, e continuam relevantes para o setor, principalmente as relacionadas à modernização do planejamento energético diante da grande mudança de demanda trazida pelos empreendimentos de infraestrutura digital, temas ligados a licenciamento de maneira geral, e também alguns temas ligados a competitividade regional. O Brasil precisa olhar para a cadeia completa de implantação de um data center. O benefício tributário sobre equipamentos é fundamental, mas não é o único componente que determina onde um investimento vai acontecer — disponibilidade e competitividade da energia, conexão ao sistema elétrico, infraestrutura de telecomunicações, água, terrenos, licenciamento e segurança jurídica pesam junto na decisão.

Considero essencial, também, que a discussão sobre desenvolvimento regional continue avançando, incluindo aqueles ligados às zonas especiais de desenvolvimento. Existe uma oportunidade muito grande de descentralizar os investimentos e levar infraestrutura digital para regiões com disponibilidade energética e potencial de desenvolvimento econômico, como o Nordeste. Para isso, precisamos de políticas que reconheçam as características e vantagens competitivas de cada região.

A aprovação do texto dá mais segurança aos investimentos da companhia no Ceará? Isso faz com que os planos sejam acelerados também? De que forma?

Sem dúvida, a aprovação representa um avanço importante em termos de previsibilidade para o ambiente de investimentos no Brasil de maneira geral e, consequentemente, para qualquer projeto de infraestrutura digital, incluindo o nosso no Ceará. Isso ocorre pois o Redata não apenas melhora a equação econômica mas ajuda a reduzir uma camada de incerteza para investimentos presentes e futuros, e isso é especialmente relevante num setor em que os projetos envolvem bilhões de reais, contratos de longo prazo e decisões de infraestrutura que precisam ser tomadas com muita antecedência.

Mas é importante também destacar que o projeto da OMNIA no Pecém já está em desenvolvimento desde 2024, operando dentro do arcabouço regulatório das Zona de Processamento de Exportação (ZPEs), regime que tem suas próprios regras, benefícios e contrapartidas, seguindo, portanto, uma agenda própria de implantação, que independe das condições do Redata.

E facilita a captação de novos clientes? Como está essa frente atualmente e como projeta que ela fique com a aprovação do texto?

Sim. Um ambiente regulatório mais previsível ajuda diretamente na conversa com clientes globais, que comparam países e regiões antes de decidir onde investir. Eles olham energia, custo, conectividade, prazo de implantação, segurança jurídica, sustentabilidade e capacidade de expansão. O Redata melhora uma dessas dimensões e, sobretudo, manda uma mensagem sobre a disposição do Brasil em receber esse tipo de investimento. A demanda por infraestrutura digital está crescendo rápido, puxada pela inteligência artificial e pela nuvem, e sentimos esse movimento nas conversas com potenciais clientes e parceiros.

Com o novo ambiente regulatório, nossa expectativa é que o Brasil fique ainda mais competitivo nessas conversas e, para a OMNIA, isso reforça a estratégia de construir uma plataforma de data centers de grande escala no país, complementando nossa estratégia e foco iniciais de desenvolver projetos a partir da ZPE no Ceará. Vale assim destacar um ponto central: o Redata não cria a demanda. A demanda já existe. O que ele faz é ajudar o Brasil a melhorar sua competitividade global e transformar essa demanda em investimentos concretos no curto prazo.

Por falar em Pecém, a Eneva confirmou o investimento de R$ 6 bilhões no complexo para a construção do projeto Hub Ceará. O lançamento da usina termelétrica Jandaia ocorreu na última sexta-feira, 5, em cerimônia restrita à empresa e à Cipp SA e foi bastante ofuscada pela visita do presidente Lula ao Cariri cearense.

A usina integra o projeto de geração termelétrica e infraestrutura de gás natural, a partir de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) a ser implementado no Porto de Pecém, formando o hub de gás e geração, com 1.147 megawatts (MW).

“Com potencial para gerar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos, o projeto também deve impulsionar cadeias produtivas locais, promover oportunidades para fornecedores e contribuir para o desenvolvimento sustentável da região”, destacou a empresa nas redes sociais.

Max Quintino, presidente da Cipp SA, comentou que “a chegada desse projeto reforça o papel do Complexo do Pecém como um dos principais polos de energia, infraestrutura e desenvolvimento do País”.

A Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE) e a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza dão início aos encontros com os candidatos a governador do Ceará, nos quais os empresários provocam sobre os projetos dos políticos para o setor. A agenda começa no próximo dia 21/9, com Ciro Gomes (PSDB). Já no dia 25/9 será a vez de Elmano de Freitas (PT). Ambos serão recebidos pelos empresários na sede da FCDL em evento para convidados.

Fonte: O Povo | Foto: Reprodução

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