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Transformar parte da produção agropecuária de Mato Grosso em produtos industrializados, agregar valor às exportações e atrair novos investimentos estão entre os principais objetivos da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres. O empreendimento, que já conta com uma empresa em operação, busca ampliar a presença de indústrias e aproveitar o potencial produtivo do Estado para conquistar novos mercados internacionais.
As oportunidades oferecidas pela ZPE foram apresentadas a empresários e investidores durante o seminário “Oportunidades e Vantagens da ZPE de Cáceres”, realizado na quarta-feira (14), na sede da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em Cuiabá.

O encontro reuniu representantes do setor produtivo, autoridades e especialistas para esclarecer dúvidas sobre os procedimentos necessários à instalação de empresas, os incentivos disponíveis e as possibilidades de expansão das exportações mato-grossenses.
A iniciativa foi promovida pelo Sistema Fiemt, pela Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Cáceres (Azpec), pela ZPE de Cáceres e pela Invest MT, com apoio do LIDE Mato Grosso e da Associação Brasileira de Zonas de Processamento de Exportação (Abrazpe).
Segundo o presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, a intenção é levar o debate a outras regiões do Estado, aproximando empresários das oportunidades de investimento oferecidas pelo empreendimento.
Rangel também defendeu a ampliação da infraestrutura logística, especialmente a integração entre diferentes modalidades de transporte, para facilitar o acesso aos mercados da América do Sul e de outros continentes.
“A Federação das Indústrias está à disposição para mostrar dados do Estado e dar suporte a esses empresários, para que possam investir e não ter dúvidas de que a ZPE é um grande ponto de início de industrialização para atender esse mercado, não só da América do Sul, mas do mundo inteiro”, afirmou.
NOVAS INDÚSTRIAS – O presidente da Azpec, Francis Maris, destacou que a ZPE de Cáceres já está em funcionamento e conta com uma empresa que exporta produtos de madeira do tipo teca.
A expectativa é ampliar o número de empreendimentos instalados a partir de 2027, com a atração de empresas de diferentes segmentos industriais.
“O objetivo desse seminário é mostrar as vantagens aos empresários e, a partir do ano que vem, que novas empresas se instalem lá e aumentem as exportações de Mato Grosso”, disse Maris.
Entre os setores que demonstraram interesse estão a produção de mel, frigoríficos de aves, beneficiamento de mármores e processamento de soja.
Uma das possibilidades em discussão é a instalação de uma indústria esmagadora de soja dentro da ZPE. A proposta permitiria transformar o grão em produtos industrializados antes da exportação, ampliando a participação de Mato Grosso nas etapas de processamento da cadeia produtiva.
“Estamos conversando com o pessoal da soja, para colocar uma esmagadora dentro da ZPE. Ao invés de exportar ela em grão, vamos exportar farelo de soja, óleo e mais 27 produtos da soja, o que vai gerar emprego e renda em MT”, afirmou Francis Maris.
Segundo ele, também estão sendo buscados investimentos nos segmentos de carnes, laticínios, algodão e milho.
A estratégia é aproveitar a disponibilidade de matérias-primas produzidas em Mato Grosso para estimular a instalação de unidades industriais capazes de gerar empregos, ampliar a renda e diversificar a pauta exportadora.
AGREGAÇÃO DE VALOR – Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o avanço da industrialização é um dos principais desafios de Mato Grosso, que ocupa posição de destaque na produção nacional de alimentos, mas ainda possui espaço para ampliar o processamento de suas matérias-primas.
Ela lembrou que o Estado preserva cerca de 60% de suas áreas nativas e afirmou que o crescimento econômico deve ser acompanhado por investimentos capazes de tornar a produção mais competitiva.
Segundo a secretária, o Governo do Estado vem investindo em logística, energia e qualificação profissional para criar condições favoráveis à instalação de novos empreendimentos industriais.
“Nós precisamos agora intensificar a industrialização, agregar valor e não apenas exportar produtos in natura. Muitos dos industriários que nós estamos recebendo aqui têm justamente esse olhar: verticalizar a nossa produção e trazer indústrias para o estado de Mato Grosso”, afirmou.
A verticalização defendida pelo setor produtivo consiste em ampliar o processamento das matérias-primas dentro do próprio Estado, reduzindo a dependência da comercialização de produtos sem beneficiamento.
No caso da soja, por exemplo, isso significa avançar da exportação do grão para a produção de farelo, óleo e outros derivados. A mesma lógica pode ser aplicada às cadeias de carnes, algodão, milho e leite.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL – O secretário-executivo do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), Fábio Pucci, ressaltou que o principal objetivo das ZPEs é estimular o desenvolvimento econômico e social por meio da atração de empresas voltadas ao mercado externo.
Segundo ele, o mecanismo pode contribuir para ampliar os investimentos e criar oportunidades de emprego em regiões com potencial produtivo e necessidade de diversificação econômica.
“Isso traz oportunidades para o desenvolvimento de uma área como a de Cáceres, que tem grandes potencialidades e, com um estímulo adicional, pode trazer muitos negócios e empresas para gerar a economia com novos investimentos e geração de empregos”, afirmou.
A localização de Cáceres, próxima à fronteira com a Bolívia, também reforça o potencial estratégico da ZPE para a integração comercial de Mato Grosso com países sul-americanos.
Para os representantes do setor produtivo, entretanto, a consolidação do empreendimento dependerá não apenas da atração de empresas, mas também de avanços na infraestrutura de transporte, no fornecimento de energia e na formação de mão de obra qualificada.
Com uma empresa já em atividade e negociações para a instalação de novos empreendimentos, a ZPE de Cáceres busca se firmar como instrumento de industrialização e diversificação econômica, permitindo que uma parcela maior da riqueza gerada pela produção mato-grossense permaneça no Estado.
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