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A Omnia, empresa de data centers controlada pela Pátria Investimentos, firmou um acordo de US$ 2 bilhões (R$ 11 bilhões) com a geradora renovável Casa dos Ventos para o fornecimento de energia do complexo tecnológico que está construindo no Ceará para a chinesa ByteDance, dona do TikTok.
O empreendimento, localizado na ZPE (Zona de Processamento de Exportação do Complexo Portuário do Pecém), é o 1º data center de grande porte da rede social na América Latina e o maior em desenvolvimento no país voltado para um único cliente.
O investimento total estimado na estrutura é de R$ 200 bilhões nos próximos 10 anos.
AUTOPRODUÇÃO E EXPANSÃO
O contrato tem um prazo de 20 anos e foi estruturado sob o modelo de autoprodução de energia. Nesse formato, a Omnia ingressa como sócia nos parques de geração da Casa dos Ventos, o que garante isenção de encargos, benefícios tarifários e custos mais competitivos no insumo. A fatia societária exata adquirida pelas empresas não foi divulgada. A maior parte da energia será proveniente do Complexo Eólico Ibiapaba, com capacidade de 630 MW no Ceará, atualmente em construção pela Casa dos Ventos, que conta com a TotalEnergies como acionista e participou do desenvolvimento inicial do data center. Uma parcela menor do consumo será atendida pelo parque eólico Dom Inocêncio, situado no Piauí.
Para a Casa dos Ventos, o contrato é o maior já firmado com um único cliente e vai sustentar o plano de expansão de seu parque gerador eólico e solar. A empresa estima um acréscimo de 2,1 GW em sua capacidade instalada, demandando aportes totais de R$ 11 bilhões. Segundo Lucas Araripe, diretor-executivo da geradora, os data centers são o principal segmento de crescimento da companhia, que também fechou parcerias recentes com Ascenty, Brookfield e Digital Realty. A 1ª fase do projeto da ByteDance terá 200 MW (megawatts) de capacidade de TI, com um consumo energético estimado em cerca de 300 MW, o suficiente para abastecer 2,2 milhões de pessoas.
De acordo com as empresas, a operação funcionará com 100% de energia limpa e de produção nova, exigência do Conselho Nacional das ZPEs para a concessão de benefícios fiscais, garantindo que o projeto não dispute a energia já utilizada pela população local nem pressione as tarifas.
CONEXÃO GLOBAL
Ocupando uma área de 34 hectares próxima à rodovia CE-348, entre os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza, o data center será exclusivo para a exportação de serviços, processando dados de usuários residentes fora do Brasil.

A escolha do Porto do Pecém faz parte de uma estratégia de longo prazo liderada pelo CEO da Omnia, Rodrigo Abreu, para transformar a região em um campus global de data centers hyperscale. A localização aproveita a proximidade com o hub de cabos submarinos de fibra óptica que chegam a Fortaleza, oferecendo uma das rotas de internet mais curtas e rápidas do Brasil em direção à Europa e à África. O Brasil lidera esse posicionamento na América Sul por reunir velocidade de conexão, rede nacional interligada e alto potencial de geração renovável no Nordeste.
CRONOGRAMA DAS OBRAS
As obras do complexo tiveram início em 6 de janeiro de 2026. Atualmente, os trabalhos estão na fase preliminar de preparação do terreno, incluindo o manejo de vegetação e serviços iniciais de terraplanagem. A expectativa é que o data center comece a operar no 3º trimestre de 2027, ampliando suas atividades de forma gradual até 2029. Conforme estimativas do Conselho Nacional das ZPEs, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a operação criará 550 empregos diretos e indiretos, além de outros 3.800 postos de trabalho durante as obras de infraestrutura.
RESFRIAMENTO E LICENCIAMENTO
Por operar servidores de grande porte, também chamados de racks, continuamente em salas chamadas data halls, a estrutura necessita de um sistema de refrigeração potente. No projeto do TikTok, o resfriamento das máquinas se dará por meio de um sistema de circuito fechado. Nele, a água absorve o calor dos equipamentos e, após o contato com o ar, é resfriada e recirculada de forma contínua, sem perdas externas substanciais.

A instalação do complexo foi criticada por parte de associações socioambientais, que questionam o uso de recursos hídricos e os impactos sobre as comunidades indígenas que vivem no entorno do porto. O terreno fica situado a cerca de 2 km da Lagoa do Cauípe, um importante corpo hídrico regional. Em resposta, o CEO da Omnia afirmou que o empreendimento está totalmente licenciado e atendeu a todas as exigências das autoridades ambientais estaduais e federais.
O projeto tem as LP (licenças Prévia) ,de LI (Instalação) e de LO (Operação), concedidas pela Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará), o processador de dados, a subestação elétrica e os acessos viários. Rodrigo Abreu pontuou que o sistema de circuito fechado demanda um uso mínimo de água. O complexo consumirá no máximo 30.000 litros diários, dos quais só 10%, o equivalente ao gasto de 7 residências, serão destinados ao resfriamento.
No total, o consumo hídrico geral do complexo, o que inclui cozinha, limpeza e uso predial, ficará restrito ao patamar de 40 a 50 residências. O executivo também disse que a empresa lançou programas locais de contratação e de formação técnica para reduzir os impactos e desenvolver a região.
Fonte/Foto: Poder 360
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